terça-feira, 15 de março de 2011

Unidos de A a Z

Uma impressionante unanimidade congrega as correntes internas do PT: o retorno ao partido de Delúbio Soares, símbolo do chamado mensalão. Por Soraya Aggege. Foto: Márcio Fernandes/AE 
A direção nacional do PT acaba de articular o retorno do único integrante expulso na crise de 2005, o ex-tesoureiro Delúbio Soares. Acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha no “processo do mensalão”, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), ele deve ser anistiado com mais de 70% dos votos do Diretório Nacional que se reunirá no fim de abril. Depois da provável absolvição, o ex-tesoureiro dará início aos seus projetos eleitorais para 2012 e 2014, em Goiás. Pelas regras internas, fica aberta a possibilidade de sua volta à direção da legenda.
Delúbio não reconheceu nenhum erro em seu pedido de refiliação, mas a maioria considera injusto manter a punição ao ex-tesoureiro. O argumento principal e repetido de A a Z no espectro das correntes internas é que “todo o partido errou”. Há uma tensão sobre os efeitos dessa anistia para a imagem do partido, que acabou estigmatizado por uma ampla parcela do eleitorado. Os dirigentes defendem, porém, ser este o momento certo para a anistia: há folga no calendário eleitoral e a oportunidade de transferir o debate sobre os erros para a reforma política que tramita no Congresso.
Mesmo os poucos contrários ao retorno de Delúbio admitem ter havido conivência interna e alegam que o PT acabou “vítima” do próprio sistema político que pretendia transformar. Eles defendem uma inversão nas prioridades: antes de aceitar o ex-tesoureiro de volta, é preciso liderar uma reforma política que resulte no financiamento público das campanhas. Para a maioria, não há motivos para prolongar a “injustiça”. O argumento é de que, sem provas da existência de um pagamento mensal a parlamentares em troca de apoio, os erros cometidos fazem parte das práticas eleitorais brasileiras. Internamente, os petistas frisam que o principal acusado, o ex-ministro José Dirceu, voltou ao diretório no ano passado. Não haveria, portanto, motivo para não reintegrar o ex-tesoureiro. Artigo completo ::aqui:: Carta Capital


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