quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Do sangue da Margarida nasceram as flores de luta


"E eu só deixo de dizer quando eu morrer"
Margarida Maria Alves, assassinada em 12 de agosto de 1983


Do luto à luta. O tiro de espingarda foi mais poderoso do que a espada da deusa com os olhos vendados, que diz usar a força em prol do justo. A violência da autoridade privada venceu o grito sufocado de uma camponesa que lutava por direitos (dos outros). Atiraram em Margarida, mas o sangue derramado não matou a luta; fertilizou a consciência, fez pesar a indignação, mostrou, de forma escancarada, uma realidade degradante que precisa ser combatida, um sonho que precisa ser sonhado junto para virar realidade. E a Margarida espalhou suas sementes. Morreu flor e fez nascer um jardim. Morreu na luta mas não morreu de fome. E nos fez passar fome - de Justiça.

Margarida Maria Alves, assassinada em 12 de agosto de 1983, na cidade de Alagoa Grande/PB, é um dos maiores símbolos da luta pelo direito humano à terra. Ao mesmo tempo, sua história desnuda, sem pudor, as relações viscerais e embaraçosas entre o poder econômico dos grandes proprietários e as estruturas políticas e institucionais do estado, que foram determinantes para cravar uma cicatriz profunda de impunidade. O mandante de seu assassinato, só julgado em 2001, continua solto, como se inocente fosse. E o conflito fundiário na falida Usina Tanques, de onde partiu a ordem sangrenta, continua existindo.

Defensora de direitos humanos, sindicalista, camponesa, mulher. Nem tudo são flores, é verdade. O sangue não deixou de jorrar, o jardim ainda é pisoteado, mas as flores também falam, gritam e marcham. E, juntas, resgatam o passado e alertam para o presente; um presente tão violento quanto aquela sexta-feira de 1983. Um sonho de dignidade que, nas lutas sociais, será sempre o resgate da memória de trabalhadores covardemente assassinados por terem a coragem de insurgir contra a miséria e exploração de seu povo.

Abaixo, reproduzimos um trecho do documentário "Uma questão de terra" (1988), dirigido por Manfredo Caldas, que trata do assassinato de Margarida, inclusive com uma fala sua, já se referindo às ameaças que vinha sofrendo:


Sonho que se sonha só/É só um sonho que se sonha só/Mas sonho que se sonha junto é realidade
"Prelúdio", de Raul Seixas
Fonte - www.jornalamargem.com.br

sábado, 13 de agosto de 2011

O BRASIL E SEUS FILHOS

O BRASIL E SEUS FILHOS
Ago 13, 2011
Delúbio Soares (*)
O Brasil, depois de mais de 500 anos de vida, enfim pode assumir a paternidade de seus filhos. E o fez de uma forma exemplar, decidida e generosa, não se furtando a estender a mão a milhões deles que viviam no limiar da miséria, por sobre a tênue divisa que separa a pobreza da fome. Nosso país, com atraso de séculos, mas ainda a tempo, está cumprindo seus compromissos inadiáveis com os filhos desta pátria amada.
Durante os anos 90, a chamada “década perdida”, quando a moda era entregar o patrimônio público a preço de banana, exorcizar a “herança de Getúlio Vargas”, combater o “Estado paternalista”, tachar de “anacrônico” e de “arcaico” tudo o que não rezasse pela cartilha do neoliberalismo mais frio e ortodoxo, nosso país virou as costas para seus filhos. Não se comportou como pai, sequer como padrasto: foi implacável inimigo dos direitos trabalhistas, das conquistas sociais, dos avanços institucionais e políticos da grande massa trabalhadora. Tristes tempos, cuja lembrança é dolorosa, mas necessária.
A expressiva maioria dos brasileiros sentiu o gosto amargo do abandono e do desamparo.  O desemprego, as dificuldades de sobrevivência, a inflação galopante, o achatamento salarial, as humilhações de um país onde o presidente desqualificava os aposentados chamando-os de “vagabundos”, um desprestígio internacional jamais visto e a auto-estima abaixo de zero eram os ingredientes que se caldeavam para deprimir os brasileiros e não permitir que eles amassem, mais ainda, um país que deveria cuidar de cada filho seu, protegê-los, dar-lhes garantias e resguardar-lhes direitos. Não era assim.
O Brasil cobrava os deveres de cada um, mas não retribuía aos seus cidadãos com uma vida melhor e um país mais justo. Havia uma diferença abissal, imensa e impressionante entre o país que almejávamos e o que tínhamos. A exclusão social, refletida num quadro de clamorosa injustiça econômica e ausência de oportunidades, era a regra de um Brasil concebido para uma pequena elite e sem qualquer compromisso com a grande massa trabalhadora.

Lembro-me de um filme belíssimo, do grande cineasta argentino Fernando Solanas, onde se retrata o sofrimento dos exilados argentinos durante a ditadura militar e o amargura dos que ficaram naquela Nação-irmã durante os anos de chumbo. Premiadíssimo, “Tangos, o exílio de Gardel”, é encerrado por uma cena tocante, onde um grupo de jovens filhos de exilados em Paris, entoa linda canção que fala de “um país que me ajude a viver”. Separados de sua terra pelo Oceano Atlântico, pela ditadura militar e pela saudade, persistiam no amor por um país que mal conheciam e com o qual sonhavam. Isso jamais me saiu do pensamento: os países devem ajudar os povos a viverem melhor. Essa é a função principal dos governos, dos regimes, em qualquer época, em qualquer situação, em qualquer continente, sob qualquer aspecto.
Conseguimos o que muitos julgavam impossível: hoje vivemos num Brasil que está resgatando enorme dívida social, correndo atrás do prejuízo de décadas e séculos de descaso para com seu povo mais humilde e lançando as bases de uma Nação vitoriosa e desenvolvida. Vivenciamos um tempo que jamais esperamos presenciar: o de um Brasil que atravessa incólume os temporais causados pelas crises econômicas internacionais, sem que isso represente qualquer perigo ou dano.  Atingimos a maturidade política, econômica e social. E isso vem se refletindo de forma eloqüente e insofismável em diversos fatos e dados. Enquanto os Estados Unidos, enfrentando lamentável e inédita crise, vêem sua credibilidade esvair-se e tem sua categoria no mercado econômico internacional rebaixada pela Standard & Poors, outra importante agência de classificação de risco, a japonesa Rating and Investiment Information, elevou a classificação dos títulos emitidos pelo Brasil, demonstrando a solidez de nossa economia e a competência da condução empreendida pelo governo do presidente Lula e consolidada pelo da presidenta Dilma Rousseff.
Há tanto para se fazer no Brasil… Mas já recuperamos muito do que deixou de ser feito, do que era inadiável, do que devíamos para mais de 40 milhões de irmãos nossos que saíram de condições desumanas e hoje estão agregados ao mercado consumidor, com melhores condições de vida, trabalho, saúde, alimentação e moradia.  Os avanços na área da educação são impressionantes! As gerações que estão sendo preparadas nos bancos escolares e as que já disputam o mercado de trabalho são, seguramente, um retrato fiel do Brasil competitivo, trabalhador e brilhante que desponta como um dos líderes do planeta no século XXI.
Pensei em escrever sobre o Dia dos Pais. Lembrar meu velho e adorado pai, “seo” Catonho, agricultor lá em Buriti Alegre, no interior goiano. Falar de sua força de trabalho, de seu caráter inquebrantável, de sua reconhecida bondade, da lucidez absoluta de um homem do povo. Não é necessário – já que nossos sentimentos mútuos se expressam por um simples olhar – até por uma ironia imensa do destino: semi-alfabetizado ele formou os quatro filhos e é mais sábio que todos eles. Então, transfiro a homenagem ao país que assumiu grandiosa paternidade, não abdicou de suas responsabilidades e está ajudando seus filhos a viverem melhor.
(*) Delúbio Soares é professor

sexta-feira, 12 de agosto de 2011




O Brasil está cumprindo fielmente suas metas de diminuir as desigualdades e resgatar a imensa dívida social existente há séculos. Em oito anos quase 40 milhões de irmãos nossos deixaram a pobreza para ingressar na classe média, adquirir bens, ter alimentação em maior quantidade e de melhor qualidade, exercer com mais plenitude sua cidadania, ter saúde e educação. Ainda há muito por fazer e a tarefa de complementar o trabalho iniciado nos dois mandatos vitoriosos do presidente Lula poderia parecer impossível ou hercúlea, de execução quase impossível, se no comando da Nação não estivesse, não por acaso, a competente executiva que foi o braço-direito e a principal companheira do Estadista que mudou os rumos de nossa história na última década: Dilma Rousseff.

Não tem surpreendido a forma decidida e competente como a segunda etapa do governo do PT está ordenando a grande mudança, a verdadeira revolução silenciosa e pacífica, a sacudida nas estruturas de nossa sociedade após a década perdida sob a égide dos tucanos. O Brasil é a sétima economia mundial, recuperou seu prestígio internacional, firmou parcerias fortes e conquistou nichos de mercado gigantescos  nos cinco continentes, é ouvido e acatado nos principais foros de decisão e assumiu um papel de protagonista no cenário do mundo novo que surge no raiar do século XXI. A imagem da derrota, da quebradeira, do “yes, Mister” dos anos 90 ao FMI é coisa de um passado longínquo e tristonho. Não devemos esquecê-lo, sob pena de repeti-lo. Mas nossos faróis apontam o rumo do futuro  e iluminam a competitividade, a conquista pela qualidade, a ocupação dos espaços pela simples menção da marca mágica: “Made in Brazil”. O merecido sucesso de nosso agronegócio é a maior prova disso. Não há mais tempo para lamúrias, só para trabalho e vitórias.

Ao anunciar o plano “Brasil Maior”, com a finalidade específica de estimular a competitividade da indústria brasileira, o governo da presidenta Dilma Rousseff busca apoiar decisivamente nossos exportadores num momento expecionalmente singular. Com nossa moeda fortíssima diante de um dólar baixo, a indústria brasileira irá contar com uma série de incentivos para a exportação, readquirindo as mesmas condições de antes da crise econômica que assola os Estados Unidos e grande parte da Europa. É um plano realista e pragmático. Que tem o condão tanto de mostrar a sensibilidade de nosso governo para com os percalços enfrentados pela iniciativa privada quanto nos diferencia dos governos do PSDB, eternos e rigorosos cobradores de impostos, taxas e tributos, que jamais moveram uma palha em favor dos produtores de nosso país, visando sempre e apenas o aumento da arrecadação custando o que custasse, mesmo que, ao final, importantes setores de nossa economia – como os exportadores, por exemplo – pagassem o alto preço do endividamento ou mesmo do definitivo insucesso empresarial. Mas, felizmente, os tempos são outros e o Brasil mudou para muito melhor.

No “Plano Brasil Melhor” há significativa desoneração de tributos, como a manutenção do IPI baixo sobre o material de construção, favorecendo, também a grande massa dos brasileiros que estão construindo, pretende construir ou fazer reformas em suas casas; bens de capital (máquinas e equipamentos para a produção industrial), além de caminhões e veículos comerciais leves, incentivando tanto a indústria automobilística, quanto toda a imensa cadeia de produção existente em função dela, com milhares de empresas fornecedoras e que empregam milhões de brasileiros direta e indiretamente.

Outra decisão da presidenta Dilma e que atende a esse momento particularíssimo vivido pela indústria nacional é a recuperação de créditos tributários das empresas e a impostergável desoneração das folhas de pagamentos. São vários os setores os contemplados com a oportuna medida: artefatos, calçados, móveis e confecções. O próximo setor será o da tecnologia da informação (TI), os nossos fabricantes de softwares, cujo avanço nos mercados nacional e internacional e a excelência de seus produtos os converteram hoje em segmento de imensa representatividade em nossa balança comercial e em toda a economia do país. O alcance social e econômico dessa medida terá proporções imediatas e atingirá centenas de milhares de micros, pequenas, médias e grandes empresas, indistintamente, favorecendo empresários, trabalhadores e consumidores. Ganha o Brasil e ganham os brasileiros.

O PSI (Programa de Sustentação de Investimentos), operacionalizado pelo BNDES, será mantido e terá até o final de 2012 o montante de R$ 75 bilhões em linhas de crédito, com juros baixos e subsidiados, para que os empreendedores possam investir e incrementar a produção. Programas como o “Pro-Caminhoneiro” recebem pesados investimentos advindos do PSI e continuarão sendo atendidos pela imensa importância que adquiriram para o desenvolvimento nacional, e novos setores e programas foram agregados, como o de componentes e serviços técnicos especializados, ônibus híbridos, o “Pro-Engenharia”, o “Pro-Aeronáutica”, “Profarma”, “Proplástico”, “Prosoft” e diversos outros.

É uma demonstração da aguda sensibilidade social e da atenção dispensada pelo governo do PT aos setores produtivos, estendendo a mão aos que geram empregos e riqueza, movimentam nossa balança comercial, giram nossa economia e constroem o país forte e poderoso que hoje desperta admiração e respeito em todo o mundo.

Há medidas importantíssimas em diversas áreas, que vão desde novas condições de financiamento pelo BNDES com observância à novos marcos legais, de apoio ao desenvolvimento e à comercialização de produtos sustentáveis, ecologicamente corretos e para linhas de equipamentos dedicados à redução de gases de efeito estufa (Fundo Clima – MMA), até mecanismos que desoneram e descomplicam nosso processo de financiamento às exportações.

O Brasil está antenado no mundo, ligado ao seu tempo, cumprindo o seu papel e sabendo muito bem o que quer e como atingir seus objetivos. É que o mundo está, também, observando os passos desse país-continente, que depois de vencer a chaga da pobreza e despertar do sono letárgico de um subdesenvolvimento persistente e lamentável, entregou nas mãos firmes de um líder operário e Estadista clarividente a missão de reerguê-lo. Agora a primeira mulher a nos governar enfrenta com notável competência o desafio que lhe cabe: manter as conquistas sociais e econômicas, ampliá-las e consolidar o processo de crescimento do Brasil Maior, vencedor e democrático, que todos amamos.

(*) Delúbio Soares é professor

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Agenda de Dilma prevê viagens a ao menos 8 países até dezembro

Até o final deste ano, a presidente Dilma Rousseff pretende ir a pelo menos quatro países da América do Sul, um da Europa, um da África e um euroasiático, assim como já está confirmada a ida dela à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. A ideia é intensificar parceriais, fortalecer as relações sul-americanas e defender as principais propostas do Brasil.
Dilma ainda não fechou a agenda de viagens internacionais, mas sinalizou que pretende ir à Colômbia, Venezuela, ao Uruguai e Paraguai, na América do Sul. Antes, irá aos Estados Unidos, à Bélgica, Bulgária (país de origem do pai da presidente) e Turquia.
Os países da América do Sul devem entrar na agenda apenas no final de outubro ou começo de novembro. Dilma considera fundamental implementar ações que melhorem o quadro social e de infraestrutura dos países vizinhos. No primeiro semestre, Dilma foi à Argentina, ao Peru, Paraguai e Uruguai.
Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que conclui em dezembro as visitas aos 12 países da América do Sul. Antes de a presidente ir a um determinado país, o chanceler vai ao local para negociar acordos e examinar demandas e expectativas. Segundo ele, falta apenas o Suriname, para onde pretende ir em breve.
O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, também foi enviado por Dilma a países vizinhos. Garcia disse que, nos próximos dias, segue para a Bolívia e, na sequência, visita Peru, Equador e Colômbia.
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Caixa tem R$ 39 bi para financiar a casa própria



A Caixa Econômica Federal ainda tem R$ 39 bilhões disponíveis para emprestar para quem quiser comprar a casa própria até o fim do ano. Dos R$ 84 bilhões previstos para serem destinados ao setor de habitação em 2011, R$ 45 bilhões já foram contratados até o início de agosto.
O Estado de São Paulo corresponde a 25% da demanda por crédito para moradia, o que, nesse total de recursos, representa R$ 9,75 bilhões.
O dinheiro destinado para o financiamento de imóveis pode ser ainda maior, de acordo com o banco estatal. Como o movimento de contratação dos financiamentos costuma ser maior no segundo semestre, a previsão para o ano deve ser analisada nos próximos meses e pode chegar a R$ 90 bilhões. Essa seria a segunda revisão para cima do volume destinado ao financiamento feita pela Caixa.
No primeiro semestre deste ano foram realizados R$ 34,7 bilhões em negócios imobiliários pelo banco. O valor é 20% maior do que o movimentado no mesmo período do ano passado, informou ontem o vice-presidente de governo e habitação do banco, José Urbano Duarte.
“Esse crescimento não contabiliza os contratos do programa Minha Casa, Minha Vida de zero a três salários mínimos feitos no primeiro semestre do ano passado, pois não tivemos esse tipo de contratação nos primeiros seis meses deste ano”, explicou Duarte.
Se essa modalidade estivesse contabilizada, o volume de crédito imobiliário concedido seria 3,4% superior na comparação entre o mesmo período dos dois anos.
Ao todo foram 496.351 unidades financiadas nos seis primeiros meses deste ano, sendo 51% dos contratos para pessoas que ganham até dez salários mínimos e se incluem programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Desempenho

A Caixa detém 75% do mercado de financiamento imobiliário nacional, com uma carteira de R$129,3 bilhões emprestados. São três milhões de contratos, com prazo médio de pagamento de 181 meses e 80,4% dos clientes com idade de até 45 anos. A taxa de inadimplência em junho deste ano ficou em 1,72%.
Dos recursos da Caixa para financiamento imobiliário, 49,2% vêm do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e 49,8% são de recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE).
Na opinião do presidente da instituição Jorge Hereda, não há temor de escassez de recursos para o financiamento imobiliário, como o setor de habitação já manifestou. “Estamos equacionados até 2013 e os recursos não vão acabar. A poupança não vai acabar. Se no ano que vem for necessário crescer 30% nesse setor, vamos crescer”, disse.
Hereda afirma que um possível agravamento da turbulência econômica que atinge Europa e Estados Unidos já está em discussão na instituição.
“Não vamos tomar uma medida prévia e adiantar a crise. Os bancos privados erraram em 2008 ao limitar o crédito e perderam mercado. Vamos cumprir o nosso papel, se o governo precisar”, afirmou Hereda.
A Caixa já analisa outras formas de levantar recursos para o crédito imobiliário. Uma seria a securitização dos ativos imobiliários, ou seja, transformar a dívida de financiamento em títulos comercializados no mercado financeiro.
Um teste já foi feito com esses títulos, no valor de R$ 250 milhões, para investidores com capital a partir de R$ 10 mil. “Tivemos êxito, com 1,6 mil investidores comprando esses títulos. Foi importante para sentir o apetite do investidor”, declarou Márcio Percival vice-presidente de finanças da Caixa. No Jornal da Tarde
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domingo, 31 de julho de 2011

A PORTA-VOZ DE JOBIM AMEAÇA A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF

Tudo balança, mas não cai 

BRASÍLIA - A maior preocupação da presidente Dilma Rousseff, como ela deixou evidente na posse de Ollanta Humala no Peru e nos encontros com Cristina Kirchner em Brasília, é com os efeitos ainda não bem definidos da crise dos EUA no mundo, na América do Sul e, consequentemente, no Brasil.
De público, Dilma diz que teme o desequilíbrio das moedas da região em função do esfarelamento do dólar, como também a enxurrada de produtos manufaturados que, sem compradores nos países ricos, tendem a inundar os emergentes. A enxurrada, se houver, pode afetar as indústrias e os empregos nacionais -do Brasil e dos vizinhos.
Em privado, o que prevalece é o temor aliado às incertezas, ou seja, uma grande interrogação. Ninguém sabe, ao certo, em que ponto o endividamento americano e o impasse político de Barack Obama vão se somar à fragilidade de países europeus. E no que tudo isso, junto, vai dar a curto e médio prazos.
Mas, enquanto a agonia de Dilma é com a crise mundial que vai tomando forma, como uma nuvem carregada, a de Lula e dos lulistas é mais doméstica: as consequências da faxina nos Transportes.
Não é por acaso que só 1% (1% mesmo!) das obras do PAC na área justamente de transportes estão prontas, mas a preocupação é outra: a tentativa do PR de extrapolar sua insatisfação para os demais partidos aliados. A ministra Ideli Salvatti está encarregada de acalmar a turma com cargos, mas algo emperra a tarefa: Dilma exige "ficha limpa". Sobram poucos...
Esta semana, portanto, promete grandes emoções, com o mundo e o governo brasileiro aos sobressaltos. E tem mais: o ministro Nelson Jobim vai amanhã ao programa "Roda Viva", da TV Cultura. Jobim, o que balança, mas não cai, está em fase de dizer verdades por aí e, como todos sabemos, a verdade às vezes dói. Quando dói na presidente da República, o tombo passa a ser questão de tempo.




Fonte: Aposentado Invocado

terça-feira, 5 de julho de 2011

A MULHER E A COMUNICAÇÃO


Muitas coisas ainda faltam ser feitas na área de comunicação na Paraíba. Temos relatado o destrato com nossa classe desde 2008, primeiro com o movimento Novos Rumos. Apesar de bem desacreditados de mudanças temos nos mantido nas medidas impossíveis da fronteira com a inexistência. Mesmo com essa surrada profissão, estamos emergindo. Uma parte, mulheres.

São muitas que estão se posicionando no mercado. Parecem ser destemidas. Os homens, menos inovadores, estão perdendo cargos de presidências, secretarias... Mas não nos enganemos. As mulheres carregam mais ou menos interesse em mudar alguma coisa?

Acreditamos que estamos num caminho mais claro. Antes deve ter havido outros encontros. Mas só podemos relatar o que presenciamos, como boa apuradoras. Por isso notamos que, desde 2007, as comunicólogas começaram a se unir em eventos na Paraíba. Hoje partimos para mais uma jornada que mistura conhecimento e cultura, duas vertentes nas quais bebemos e pelas quais somos isso que somos.

Ressaltamos a garra das jornalistas Mabel Dias e Fabiana Veloso que colocaram a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária da Paraíba (AbraçoPB) num grande movimento. As duas fazem parte das coordenações de Gênero e Comunicação da entidade e bolaram o I Encontro de Comunicadoras Comunitárias e o Seminário para Jornalistas para o próximo sábado, dia 9. O tema é lilás também: “Mulher, democratização da comunicação e controle social na Paraíba”. 

Segundo as organizadoras, o Encontro representa um espaço de discussão das novas tecnologias sociais. É um momento de difusão de novos conhecimentos, como o desenvolvimento social e comunitário dos meios de comunicação. 

São encontros como este que fazem a comunicóloga compartilhar um pouco do que sabe, além de interagir com as colegas e trocar novas ideias, tudo como num imenso Facebook. Antes, vimos a área de comunicação silenciada. Percebese que as nossas antepassadas colegas esperavam os eventos mais generalizados, voltados para todos os profissionais de comunicação. Que se resumiam nessas festas fakes de fim de ano. 

Agora é diferente. A nova leva de jornalistas, principalmente as que atuam em redação, estão com tudo nos discursos sobre as vertentes mais atuais da área. Como as meninas que vão se apresentar no Encontro, as jornalistas Silvana Torquato, Bia Barbosa, Janaíne Aires e Wanessa Veloso. Até a super atarefada deputada federal Luiza Erundina, da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal, estará no evento.

Em meio a tudo, um lançamento de um livro, “Mulheres em pauta – gênero e violência na agenda midiática”, de Sandra Raquew. A radialista Denise Viola, as professoras Ana Veloso e Glória Rabay também estão na programação. O evento tem a importante parceria das secretarias Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, de Comunicação da Paraíba e Chefia de Gabinete da prefeitura de João Pessoa.

Fonte: MovSocial

sexta-feira, 1 de julho de 2011

GRAZIANO NA FAO: VITÓRIA DA ESPERANÇA

GRAZIANO NA FAO: VITÓRIA DA ESPERANÇA
Jun 30, 2011
(*) Delúbio Soares
Desde que o Brasil assumiu a vanguarda da luta contra a fome, a desnutrição e a exclusão social, ainda nos anos 40, quando da publicação da “Geografia da fome” pelo genial Josué de Castro, dois foram os marcos nessa batalha hercúlea pela dignidade dos que nada tem e muito necessitam: o lançamento do programa “Fome Zero” e o retumbante sucesso por ele alcançado.
O Brasil não podia ser rico com milhões de filhos seus imersos na mais absoluta pobreza, passando fome, órfãos dos poderes públicos, esquecidos pela sociedade, ignorados pelo país opulento, oficial e vitorioso, das super-safras e dos superávits. Mas, infelizmente, era o que se sucedia.
A sensibilidade social e a visão humanista do presidente Lula mobilizaram o Brasil e os brasileiros para o combate à chaga aberta em nosso vasto território. E foi através do trabalho de brasileiros idealistas e competentes, espalhados por todos os rincões, nas mais diferentes esferas do poder público, com o apoio da sociedade civil e a mobilização popular, que o Brasil atendeu ao chamado de Lula e enfrentou a vergonhosa situação de fome num país que já era o celeiro do mundo. José Graziano, meu companheiro petista, técnico competente e homem de reconhecidas preocupações sociais, estava à frente de esforço nacional que se converteria num êxito mundialmente reconhecido e numa autêntica epopéia que viria a transformar a face de nosso país e sua sociedade.
Filho de um dos maiores brasileiros que conhecí, José Gomes da Silva, que foi nossa maior autoridade em reforma agrária e cuja generosidade humana e a crença em nosso país não conheceram limites, Graziano herdou do pai a vocação para servir ao Brasil e defender seus ideais. Deu o melhor de suas forças auxiliando o presidente Lula e todos os que com ele fizeram o excepcional trabalho do “Fome Zero”, e agora nos orgulha ao ser eleito diretor-geral da FAO, o organismo das Nações Unidas para agricultura e alimentação. Trata-se de fato histórico e de extrema relevância para o Brasil e os brasileiros.
Graziano venceu renhida disputa com um concorrente respeitado, o ex-chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos. Mas os países mais carentes, aqueles onde a fome ainda castiga milhões de seres humanos, as Nações que conhecem os flagelos da desnutrição, da mortalidade infantil e de toda sorte de carências, optaram pelo nome do brasileiro justamente por sua identificação com o trabalho que desenvolveu no governo Lula e esperam que a FAO, sob seu comando, faça ainda mais do que vem fazendo na luta contra a fome e a exclusão social de centenas de milhões de irmãos nossos pelo mundo afora. A vitória de Graziano é um fato histórico. É a vitória da esperança em um mundo sem fome, um mundo melhor e mais justo.
Enganam-se os que pensam que o combate à miséria e as políticas que redundam em profundas mudanças na estrutura social, como ocorreu no Brasil com a chegada de mais de 30 milhões de cidadãos à classe média, são assistencialistas ou eleitoreiros. As críticas recebidas pelo presidente Lula, seu governo, o PT e os partidos que formam a base de sustentação do governo da presidenta Dilma Rousseff,  ou trazem o vezo da arrogância elitista e do preconceito social, ou são, apenas e tão somente, de pura e deplorável má-fé. As conquistas da sociedade brasileira foram evidentes com o “Fome Zero” sob a égide do governo Lula, e os avanços já no governo Dilma, com a considerável ampliação de recursos e esforços, já se fazem sentir e nos dão ainda mais ânimo para continuar uma luta que não conhece trégua nem tem quartel.
Ao mesmo tempo em que José Graziano e um punhado de brasileiros tocavam adiante a luta contra a fome, o governo Lula avançava em outras frentes: na recuperação da indústria naval, no incentivo à produção agrícola, na geração de empregos, na abertura de oportunidades a todos os brasileiros, na democratização do ensino, na oferta de crédito a todas as camadas da sociedade, no mais ambicioso e bem-sucedido programa habitacional já visto em nosso país. O Brasil conjugou a luta contra o estigma da fome com um conjunto de iniciativas que propiciaram a mudança de um país destroçado na década dos 90 para a Nação confiante e vitoriosa dos dias de hoje.
A missão de Graziano na FAO é dura. Caberá a ele enfrentar uma desgraça medieval em pleno século XXI. Ele sabe que nos anos mais infames da história brasileira, quando o neoliberalismo dos tucanos arrasou nossa economia, quatro em cada dez brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza, passavam fome, eram miseráveis. Reduzimos 75% dessa marca vergonhosa. Hoje, resta um em cada dez brasileiros em tal situação. É pouco? Não, é demais! Somente quando todos os brasileiros comerem, obtiverem condições dignas de sobrevivência e a fome for apenas uma recordação tristonha de um passado longínquo, aí, sim, nós, descansaremos.
José Graziano continuará a luta do inesquecível Josué de Castro, que na FAO lançou a semente generosa de um planeta sem fome, e tornou-se um dos brasileiros mais queridos e respeitados em todo mundo. Levará aos cinco continentes o experimento vitorioso do governo Lula, que recuperou a dignidade e resgatou a cidadania de dezenas de milhões de cidadãos que não comiam, não eram respeitados pelos governos, eram tratados como massa sem alma.
Boa sorte, Graziano! Não lhe faltam nem competência, nem coragem.
(*) Delúbio Soares é professor