SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira o fim de qualquer tipo de "terrorismo" na disputa eleitoral deste ano. "Não acreditem e não aceitem aquela ideia imbecil que se falava neste Brasil: 'ah, se ganhar fulano vai estragar tudo, se ganhar beltrano vai estragar tudo'", disse Lula durante evento com dirigentes das montadoras de veículos no país.
"Fizeram muito terrorismo contra mim durante todas as vezes que eu disputei a eleição, ou seja, mentiram tanto que um dia o povo não acreditou mais. Não existe possibilidade de quem quer que seja estragar o que está construído nesse País", acrescentou o presidente.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que falou antes de Lula, foi lançada pelo PT pré-candidata à Presidência no mês passado. Ela deve enfrentar nas eleições o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
"A eleição não pode mais causar qualquer cenário de terrorismo no Brasil: 'a bolsa caiu porque não sei o quê subiu'. Não existe essa possibilidade", defendeu. "Espero que quem vier faça muito mais, porque nós precisamos crescer, gerar emprego, gerar renda."
Mais cedo, ao lado de Dilma e Serra (PSDB), Lula participou da cerimônia de inauguração de uma fábrica de máquinas agrícolas em Sorocaba (SP). Prováveis adversários nas eleições deste ano, o ddois compararam a atuação dos governos federal e paulista durante a crise financeira global.
"Sem sombra de dúvida, 2008 e 2009 teve por parte do governo do presidente Lula a firme determinação no sentido de não deixar que a crise nos abatesse", destacou Dilma, pré-candidata do PT à sucessão presidencial.
"Essa determinação beneficiou o Brasil como um todo, mas beneficiou de uma forma especial São Paulo, porque São Paulo é hoje um dos maiores centros produtores de máquinas e equipamentos do Brasil", acrescentou.
Potencial candidato do PSDB, Serra elogiou as medidas do governo federal que ampliaram o crédito no País. Lembrou, no entanto, que seu governo fez o mesmo até vender a Nossa Caixa para o Banco do Brasil.
"Conseguimos manter um nível de investimentos em 2009 que foi o mais elevado da nossa história por parte do governo do Estado, que ajudou muito a manutenção do nível de emprego e de ocupação em todo o território paulista", afirmou Serra.
Os dois também compararam programas de financiamento à agricultura familiar, que, segundo eles, aumentaram a demanda por equipamentos agrícolas.
Segundo as pesquisas de intenção de voto, o governador de São Paulo permanece à frente da disputa eleitoral, mas com uma diferença menor em relação à ministra da Casa Civil.
Levantamento do Datafolha divulgado neste final de semana mostrou Serra com 32% ante 28% de Dilma.
"Sucesso absoluto o Encontro das Oposiçoes. Faremos outros em todas as regiões do Estado." Lançamos uma semente para uma nova Paraiba !
Quando uma pessoa como Cássio Cunha Lima, escreve: "Lançamos uma semente para uma nova Paraíba", ele certamente quer dizer que vão acabar com o Estado, mas isso não acontecerá, o projeto de destruição pelo qual passou a politica e a sociedade paraibana foi muito violenta. De um lado Efraim Morais querendo com seus ataques derrubar o governo Lula, impressionante com eles tratam da politica de conveniência, as que deleitam-se e nadam de braçada. Olho neles paraibanos!
Zé Lacerda e Efraim Morais DEM/PB, Cássio Cunha Lima PSDB/PB, Ricardo Coutinho e Ciro Gomes, ambos do PSB, esse é o palanque que muitos querem que Luis Couto do PT suba. Setores do PT, muito bem representado pelo bravio e irascível Júlio Rafael que tanto se impelem em uma aliança com Ricardo Coutinho, querem que Dilma Rousseff suba num palanque com Zé Lacerda, Cássio, Efraim e outros séquitos celerados da direita golpista, que fizeram uma oposição sistemática ao governo do Presidente Lula?
Na última sexta-feira, dia 26 de Fevereiro, aqui na capital paraibana tomou posse como novo presidente estadual do PT, Rodrigo Soares, foi uma festa grandiosa promovida pelo conjunto de militantes do partido, que ao fim da fala de Rodrigo Soares, gritava: "olé, olé, olé, olé, olá, Dilma, Dilma. Neste mesmo dia, em uma praça central aqui de João Pessoa, Ricardo Coutinho, promovia uma festa e montou um palanque excepcional para comemorar a entrega da casa de número 5.000 de seu governo, convênio com o Governo Federal, mas sabem quem o edil pessoense chamou para comemorar tal feito? Se você respondeu Lula, errou, mas se você respondeu Dilma Rousseff, errou grosseiramente. Ele convidou Cássio Cunha Lama, governador tucano, cassado por corrupção eleitoral e o mais infame, ardiloso, dissimulado, espertalhão, oblíquo, patife, perspicaz, sacana, sorrateiro, trapaceiro e velhaco Efraim Morais, isso mesmo, Ricardo Coutinho já tem seus senadores, Cássio e Imorais, dois ícones da sabugada, pisada oligarquia e derrancada política paraibana. Vamos fortalecer e não cometer os mesmos erros, vamos proporcionar à Dilma uma base excelente, com deputados federais, com senadores que dêm guarida aos projetos e programas que proporcionaram ao Brasil o reconhecimento ora alcançado? Então os petistas que defendem uma aliança com Ricardo Coutinho, terão coragem de subir no mesmo palanque dos ineptos e lambões Cássio e Efraim Morais?
A primeira ação do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) sob a presidência de Rodrigo Soares, que tomou posse no cargo na última sexta-feira (26), foi definir a indicação do nome do vice-governador Luciano Cartaxo para manter-se na chapa de José Maranhão, pré-candidato ao Governo do Estado, e confirmar a aliança que o partido mantém com o PMDB. Os diretorianos se reuniram no último sábado (27), na Assembleia Legislativa, no Centro da Capital, e elaboraram uma resolução a ser seguida pelo partido.
Segundo o documento, o diretório indica o nome de Luciano Cartaxo (PT) por considerar legítimo que ele e José Maranhão tenham um mandato completo já que terão apenas um ano e dez meses para governar o Estado. “Neste sentido, o PT reivindica categoricamente a sua (Luciano Cartaxo) participação na Chapa Majoritária”, diz o texto.
Ainda de acordo com a resolução, o PT assume como “aliados preferenciais” o PMDB, o PCdoB e o PRB no próximo pleito, “decidindo construir um calendário de reuniões com os partidos aliados do Governo Lula e que juntos, governam o Estado da Paraíba ou que não estejam no bloco de oposição neoliberal no estado coordenada pelo PSB junto com o PSDB/DEM/PPS”. O objetivo da aliança é, também, segundo o texto, eleger Dilma Roussef para Presidente da República.
Uma comissão executiva estadual foi criada para, juntamente com o vice-governador, “avançar no diálogo com os partidos que possibilitarão aliança política e com o governador José Maranhão”.
DIRETÓRIO REGIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES RESOLUÇÃO POLÍTICA
1. Nos últimos anos com o governo democrático e progressista, o Brasil vem passando por mudanças significativas, que resgataram um projeto de nação baseado no desenvolvimento sustentável com inclusão social.
2. O governo Lula, o governo do PT e partidos aliados, além de criar uma grande rede de proteção social com o Programa Bolsa Família e com o Sistema Nacional de Segurança Alimentar (SISAN), redescobriu o Brasil rural com o aumento do investimento na agricultura familiar, a criação dos Territórios Rurais e da Cidadania e do Programa Luz para todos.
3. A recuperação da capacidade de investimento do Brasil com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa destaque de planejamento, e com novas descobertas do pré -sal e a construção de oportunidades, como a aprovação da sede da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, eventos que naturalmente proporcionarão aumento de investimentos em infra-estrutura, são conquista e feitos significativos. Podemos ainda destacar o forte investimento em educação, com a criação do Fundo do Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), maior investimento no Plano de desenvolvimento da Educação(PDE), da expansão universitária, na qual se promoveu o aumento do dobro de vagas através do Programa de Restauração e Expansão da Universidade (REUNI) e da maior inclusão das classes menos favorecidas através do Programa Universidade para Todos (PROUNI),e do cuidado com o ensino tecnológico, através da Instituições de Ensino Federal(IEFs).
4. Além das iniciativas que preponderaram a finalidade da gestão pública, o Brasil e seu Governo, diante da grande crise financeira e econômica de 2008/2009, foi um dos últimos países a ser atingidos pelos seus efeitos e o primeiro a sair da crise, tendo, em janeiro deste ano, os investimentos produtivos estrangeiros crescidos 30%, enquanto países europeus houve queda de 14%.
5. Para que estas conquistas acontecessem foi necessária a articulação de forças sociais e políticas na sociedade e na institucionalidade, já que a oposição ao nosso projeto de nação tem no PSDB/DEM/PPS, a partir da elite paulista e de sus articulações nos diversos estados, sua maior expressão. Estes partidos, que governaram o país por vários anos com a agenda do neoliberalismo, causando desemprego, arrocho salarial e aumento da desigualdade social, articulam em todo país frentes estaduais, inclusive com partidos da base ou simpatizantes ao nosso projeto, mas que priorizam o projeto regional.
6. Na Paraíba ,desde 2002, o Partido dos Trabalhadores construiu e delimitou um campo de alianças da esquerda ao centro, com o PMDB, PSB,PC do B e PRB, levando este bloco de partidos e forças políticas a vencerem as eleições de 2006, a partir da denuncia de corrupção eleitoral e abuso de poder econômico protagonizados pela aliança conservadora, o que levou a cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e de seu vice José Lacerda (DEM) e além da vitória inconsistente de 2008 nas principais cidades do Estado.
7. Ao lado desse bloco de partidos, o PT assumiu o Governo do Estado em fevereiro de 2009, com a presença do nosso vice- governador Luciano Cartaxo (PT), integrando o primeiro escalão de Governo os Secretários de Estado Giucélia Figueiredo e Anselmo castilho, respectivamente, Desenvolvimento Humano e Articulação Governamental, o Presidente da PBTUR, Rodrigo Freire e o Coordenador dos Movimentos Sociais junto ao Governo, Arimatéia França, entre, entre outros quadros importantes, implementando, desde então, uma nova agenda politica e administrativa no estado, em sintonia com o governo Lula, baseado na retomada do investimento publico, no combate a desigualdade social, no combate contra a violência contra a mulher, restabelecendo diálogos com os Movimentos Sociais a partir da absorção do apoio as Conferencias e colocando a Paraíba na agenda do PAC do governo brasileiro, apoiando a Transposição do Rio São Francisco e restabelecendo a vocação do Porto de Cabedelo.
8. O rompimento do PSB com este bloco de forças politicas e a formalização de aliança com o DEM, a partir de uma agenda conjunta de seus presidentes, Ricardo Coutinho e Efraim Morais, por toda a Paraíba, alem do apoio publico do ex-governador cassado Cássio Cunha Lima, na sua defesa da aliança formal entre PSB/PSDB/DEM, materializando-se na chapa Ricardo/Cássio/Efraim e a opção clara de inexecução das obras do PAC na Capital, (1% de execução), constituíram os elementos para a impossibilidade de reedição da aliança que patrocinou a eleição que em 2006 defendeu o Projeto democrático e progressista.
9. A nova opção politica do PSB, aliando-se ao DEM, adversários do projeto de nação que é liderado pelo presidente Lula, coordena um processo de oposição desleal e sistemática ao governo do PT na Paraíba, representado pelo Vice-Governador Luciano Cartaxo, inviabilizando ações e investimentos em João Pessoa, a exemplo do Via Jaguaribe, da obstrução a consolidação das cirurgias cardíacas nos hospitais públicos e protelação de projetos importantes na Assembleia Legislativa da Paraíba.
10. O Congresso Nacional do PT, em sua resolução de tática eleitoral, afirma que as eleições gerais deste ano colocam em jogo dois projetos distintos e opostos para o Brasil, um projeto democrático e progressista representado por Lula e Dilma e o outro projeto neoliberal representado pela aliança DEM/PSDB/PPS coordenado por FHC/Serra.
11. Diante da nova conjuntura estadual e tendo como objetivo principal a eleição de Dilma Roussef para Presidenta da República, o Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores assume como aliados preferenciais PMDB, PCdoB e PRB, decidindo construir um calendário de reuniões com os partidos aliados do Governo Lula e que juntos, governam o estado da Paraíba ou que não estejam no bloco de oposição neoliberal no estado coordenada pelo PSB junto com o PSDB/DEM/PPS.
12. O Diretório Regional adota as diretrizes nacionais de programa do governo, bem como indica o nome do vice governador. Luciano Cartaxo (PT), à futura coligação para a re-eleição ao lado do nome do governador José Maranhão (PMDB), considerando legitimo o pleito da re-eleição da mesma chapa que concorreu em 2006, tendo em vista que tivemos apenas um ano e dez meses de mandato, sendo legitimo que Maranhão/Cartaxo tenham mais que quatro de mandato a frente do governo da Paraíba. Neste sentido o PT reivindica categoricamente a sua participação na Chapa Majoritária.
13. Caberá a uma comissão executiva, juntamente com o vice-governador Luciano Cartaxo, avançar no dialogo com os partidos que possibilitarão aliança política e com o governador José Maranhão Paraíba, 27 de fevereiro de 2010 Diretório Regional do PT/PB
Ao contrário do que tentam demonstrar em público, membros do PSDB ficaram abalados com pesquisa Datafolha divulgada neste sábado que mostra forte aproximação da pré-candidata petista à sucessão eleitoral, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ao provável candidato tucano, governador de São Paulo, José Serra No levantamento, Dilma atingiu 28% das intenções de voto e reduziu de 14 para 4 pontos percentuais a distância que a separa do principal rival, Serra, que tem 32. Segundo colunista da BandNews FM Mônica Bergamo, é falso o discurso dos tucanos que tentam minimizar a vantagem do PT na pesquisa. Eles afirmam que Dilma só teve resultado positivo por ter lançado sua pré-candidatura recentemente e estar superexposta na mídia, enquanto o tucano ainda não formalizou sua intenção de disputar o Planalto. Água fria A pesquisa, de acordo com a colunista, na verdade, foi recebida como um “balde de água gelada” por tucanos próximos a Serra que perceberam que a disputa será mais difícil do que imaginavam Segundo essas fontes, Serra deve se expor mais a partir de agora e tende a preparar alianças que possam angariar mais votos. Mônica Bergamo lembra que, apesar dos esforços, o potencial de crescimento do governador, conhecido por 95% do eleitorado, é baixo e sua rejeição, alta. Por outro lado, 68% dos entrevistados afirmaram que poderia votar em um candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o que, de acordo com Mônica Bergamo, aponta 14% de chance para a candidata petista crescer com folga. Do site da Band News
Dia 26 de Fevereiro de 2010, é hoje o dia da posse do novo presidente do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores, Rodrigo Soares assume a direção e será o grande responsável pelos destinos do PT e principal comandante na construção de uma politica de alianças que possibilitem um palanque consistente, forte e capaz de mobilizar toda a militância, de fazer renascer com força e intensidade o dinamismo de ser PT. Esperamos de Rodrigo Soares firmeza no enfrentamento com as forças que querem desestabilizar o país, que vem querendo retornar ao poder na Paraíba. Rodrigo Soares terá todo o apoio dos petistas, ele é jovem, firme e pertinaz. Começa um novo momento para o partido dos trabalhadores.
"O BRASIL É NOSSA BANDEIRA, A PARAÍBA O NOSSO CORAÇÃO, VOCÊ FAZ PARTE DESTA HISTÓRIA, A FESTA É SUA! A FESTA É NOSSA"
Agripino, Demostenes Torres e Rodrigo Maia não atenderam e nem tão pouco quiseram papo com Paulo Octávio DEM/DF, apenas o senador do DEM paraibano Efraim Morais defendeu a permanência do atrapalhado e confuso servo do DEM. O fósmeo ex-governador interino e agora ex-tudo só encontrou respaldo entre seus pares, junto ao também filantropo, puríssimo e imaculável santinho do pau oco, vindo das terras baixas do Vale do Sabugi.
2º Ato - A resistência ao neoliberalismo (1989-1998)
As vitórias de Luíza Erundina para a Prefeitura de São Paulo, em 1988, de Olívio Dutra, em Porto Alegre, e Vitor Buaz, em Vitória do Espírito Santo, além das expressivas votações que os candidatos do PT obtiveram nas eleições municipais daquele ano, eram um prenúncio de que o PT estava se tornando uma alternativa real de poder à esquerda, o que pouco acreditavam que pudesse acontecer pouco depois do fim do regime militar.
Essa realidade era corroborada pelo fracasso do governo Sarney e da chamada "Nova República", cuja aliança PMDB-PFL a representava também. Depois do governo Sarney esses dois partidos não criaram mais condições de produzirem lideranças nacionais que pudessem engendrar projetos de poder, sendo desde então mera linha auxiliar dos partidos que assumiram o governo.
Plano Cruzado e hiperinflação
O PMDB, dois anos antes, havia sido o grande beneficiário político do Plano Cruzado, o último suspiro do intervencionismo estatal herdado da Era Vargas, que FHC disse que iria encerrar com seu governo. Eu lembro das lágrimas que jorraram dos olhos de Maria da Conceição Tavares, então assessora do Ministério do Planejamento, ao defender o Plano Cruzado em frente às câmeras. Com Tavares, os chamados economistas estruturalistas – tendo à frente Celso Furtado, que fora Ministro da Cultura de Sarney entre 1986 e 1988 – tiveram uma breve hegemonia no governo até o fracasso do Plano Cruzado e a definição por uma opção de governabilidade à direita de José Sarney.
O Cruzado conseguiu estancar a inflação herdada dos militares, que no ano de 1985 chegara a 225%, por meio de um decreto que congelou os preços através um tabelamento, além do câmbio, cujo dólar também ganhou um valor fixo. Vencida temporariamente a batalha contra a inflação, o povo foi alegremente às compras, o que acabou por criar uma pressão sobre os preços devido, principalmente, à incapacidade estrutural da indústria brasileira, montada naquela época para atender apenas a demanda dos ricos e da classe média, situação que em parte ainda se mantém hoje.
Esse fato criou o álibi eterno dos monetaristas no Brasil para defender a permanente alta de juros por conta das pressões inflacionárias que o crescimento econômico provoca, por conta, principalmente, do aumento do consumo. O Brasil ficou desde então prisioneiro desse dualismo econômico: ou forte crescimento econômico ou inflação. Esse discurso serve para esconder, como veremos adiante, os reais beneficiários dessa política, os capitais rentistas, cujos investimentos de curto e curtíssimo prazo se valorizam aceleradamente e se apropriam das riquezas produzidas no país.
O fato é que, em 1986, com o Plano Cruzado já entrando em decadência, o PMDB foi o grande vencedor da eleição para governador daquele ano, ganhando em 22 dos então 23 estados da Federação, além de conquistar quase dois terços dos assentos da Câmara e do Senado, que iriam elaborar a nova Constituição brasileira. Entretanto, apenas 6 dias após a eleição, o governo edita o chamado Cruzado II, que decreta pesados aumentos na gasolina, nos telefones, na energia elétrica, nas bebidas e nos cigarros.
Como era de se esperar, as reações aconteceram em todo o Brasil devido aos aumentos descontrolados dos preços que, mesmo com uma sucessão de novos planos econômicos (Plano Bresser e Plano Verão) que foram editados até o fim do governo Sarney, a inflação foi alimentada até que, finalmente, o Brasil passou a conhecer o significado do termo "hiperinflação", quando ela chegou a 84% no último mês do governo Sarney.
"Brizula", o terror da elite ou Lula lá?
Não foi por acaso, portanto, que no início do ano de 1989 a revista Veja criou um monstro que passou a povoar os pesadelos do empresariado e da classe média conservadora: "Brizula", um monstro com o corpo de Leonel Brizola e a cabeça de Lula (ou vice-versa), os dois candidatos que apareciam na frente nas primeiras pesquisas para presidente daquele ano, antes que a própria Veja apresentasse aos eleitores o "Caçador de Marajás" das Alagoas, Fernando Collor de Mello.
A ascensão de Collor, um governador de um pequeno estado nordestino e, até então, sem grande expressão na política nacional, não foi um fenômeno puramente midiático. Ela expressou o senso de oportunidade da entourrage collorida por conta da ausência de lideranças no campo conservador e dos partidos tradicionais, que foram se tornando incapazes de produzir uma unidade em torno delas. O desempenho do então todo poderoso presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, na eleição presidencial é a maior expressão disso (4,4%). Aureliano Chaves, do PFL, teve desmoralizantes 0,8% dos votos.
Todas as lideranças desse campo com alguma expressão política que se lançaram na disputa presidencial, à exceção do eterno Paulo Maluf,estavam ou estiveram ligadas ao governo Sarney: Ulysses Guimarães (PMDB), Aureliano Chaves (PFL), Mário Covas (PSDB). Além disso, sendo a eleição presidencial uma eleição isolada, a mobilização das máquinas partidárias seria mais difícil. Lula e Brizola eram os dois candidatos que não apenas mais combateram o governo do PMDB, como nunca tiveram nenhum vínculo com ele. Não era por acaso, portanto, que eles lideravam as pesquisas.
PT, PSB e PCdoB se uniram para criar a "Frente Brasil Popular", uma frente com um programa claramente de esquerda e que proclamava o objetivo de construir um governo “democrático e popular”, o que, no jargão da esquerda de fins dos anos 1980, significava, no âmbito da política, democratizar o Estado e a sociedade e, no âmbito da economia, promover a distribuição de renda através da inversão da lógica que presidiu o desenvolvimento capitalista no Brasil até então, promovendo uma reforma agrária radical, o enfrentamento do problema da dependência externa, especialmente com a suspensão do pagamento da dívida externa, a ampliação da participação dos salários dos trabalhadores na renda nacional com uma política de aumentos reais, e de pesados investimentos em educação e saúde com o fortalecimento e ampliação dos serviços oferecidos pelo setor público.
Todos esses aspectos essenciais que resultam de um diagnóstico da problemática brasileira estavam presentes no programa da Frente Brasil Popular e se expressava de maneira clara e objetiva através do próprio Lula em comícios e nos programas de TV. Quem viveu de perto a campanha de 1989 pôde observar uma dualidade de sentimentos: de um lado, os que não acreditavam – ou tinham medo – da vitória da esquerda, que representava um verdadeiro assalto aos céus e, talvez por isso, mantiveram-se na defensiva até muito próximo do primeiro turno, espalhando sua falta de entusiasmo – ou de coragem. Antigos esquerdistas de microfone foram pegos de calças curtas diante do crescimento visível de Lula e, diante da cada vez mais inquestionável possibilidade real de vitória, começaram então a questionar se seria possível Lula governar. Tinham medo da crise e do golpe.
De outro, a entusiástica militância que abraçou de corpo e alma aquela campanha, feita, na maior parte do tempo, com recursos dos próprios bolsos. De uma postura inicialmente descrente nas possibilidades de vitória, começamos a nos empolgar com o crescimento de Lula, visível nos adesivos de carros, nas camisas, nos bótons, na vermelhidão que tomava cada vez mais conta das ruas. Começamos a repetir o fenômeno da campanha das diretas com o povo voltando às ruas, agora organizado pela esquerda. Lula, que no começo da campanha caíra para 4º lugar nas pesquisas, atrás de Collor, Brizola e Afif Domingos, começou uma irresistível ascensão quando começou a ir ao ar a “Rede Povo”, cujos programas eram embalados pelo mais emocionante dos jingles que já foi produzido para uma campanha eleitoral: Brilha uma estrela (Lula lá).
Passa o tempo e tanta gente a trabalhar
De repente essa clareza pra votar
Quem sempre foi sincero em confiar
Sem medo de ser feliz
Quero ver você chegar
Lula lá, brilha uma estrela
Lula lá, cresce a esperança
Lula lá, o Brasil criança
Na alegria de se abraçar
Lula lá, com sinceridade
Lula lá, com toda a certeza pra você
Um primeiro voto
Pra fazer brilhar nossa estrela
Lula lá, muita gente junta
Valeu a espera
Lula lá, meu primeiro voto
Pra fazer brilhar nossa estrela
“Brilha uma estrela” emocionava porque ela conseguia trazer para a televisão, e da televisão para os nossos corações e mentes, as manifestações de pura espontaneidade retratada nas ruas, nos comícios que se enchiam às dezenas e centenas de milhares, combinada com um candidato que era a cara do povo. O povo se via e se reconhecia finalmente nos discursos apaixonantes de um Lula passional, radical, que paralisava – como ele continua ainda a fazer hoje – as multidões que o ouviam num silêncio lacrimoso, que só era interrompido pela vibração contagiante quando o nosso presidente acertava nossos corações nos indicando a razão de estarmos ali reunidos numa comício do tamanho do Brasil: queríamos mudar o país e não tínhamos medo de dizer isso para não ofender os ouvidos sensíveis de uma elite conservadora que ainda nos despreza. Queríamos, como ainda se dizia à época, reformas estruturais.
Vídeo da campanha de TV de 1989. Artistas cantam Lula lá.
Foi essa avalanche de um furor indomável e irresistível que tomou conta do país nos meses de setembro e outubro daquele ano memorável. Lula assumia o 3º lugar e se aproximava de Brizola, enquanto Collor começava a cair, se dissipando a esperança dos conservadores de ver a eleição resolvida no primeiro turno. Para a surpresa e o horror da imprensa e dessa elite, liderada pelo grande empresariado, Lula avançava correndo por fora e atingiu o ápice da sua ascensão às vésperas do primeiro turno, quando conseguiu 11.622.673 de votos, o que representou 16,1%, ultrapassando finalmente Leonel Brizola por uma margem de apenas 445 mil votos (ou 0,6%) num total de votantes quase 75 milhões. Brizola obteve 16,1 milhões de votos (15,5%). Entre as capitais, João Pessoa foi a sétima maior votação que Lula obteve, chegando a quase 27% dos votos.
Já Fernando Collor obteve 22,6 milhões de votos (28,2%) numa votação conquistada principalmente em meio ao eleitorado mais pobre e desorganizado politicamente, um paradoxo se compararmos com os dias atuais, quando é exatamente no meio desse eleitorado que Lula obtém seu maior apoio, apoio conquistado não na campanha, mas no governo, com políticas de combate à pobreza e de aumentos salariais.
No segundo turno Lula conseguiu avançar, obtendo o apoio dos principais candidatos que concorreram no primeiro turno, entre eles Leonel Brizola, Mário Covas e Ulysses Guimarães. Collor manteve-se isolado, chegando mesmo a rejeitar o apoio declarado por Mário Amato, à época presidente da FIESP. Amato, numa declaração antológica, chegou a dizer que, caso Lula vencesse a eleição, 800 mil empresários sairiam do Brasil. Esse foi um dos muitos episódios utilizados para impedir a vitória de Lula, que lutava contra um imenso poder econômico, que tinha contra ele quase todo o grande e médio empresariado brasileiro, e todos os meios de comunicação, que cuidaram de criar um verdadeiro clima de terror para impedir que Lula vencesse a eleição. Uma desigualdade de condições jamais vista, daí a força da candidatura de Lula.
A edição do último debate entre Collor e Lula do segundo turno feita pela Rede Globo, quando foram inseridos apenas os pontos fracos de Lula e o melhor do desempenho de Collor, representou o mais alto grau de engajamento político da Rede Globo, que foi talvez a principal responsável pela eleição de Collor de Mello, a quem ela ajudaria a derrubar em 1992. Engajamento que ainda se mantém hoje. A eleição de Lula, a reeleição e a manutenção dos altos índices de aprovação indicam que o poder de manipulação da “opinião pública” desses meios de comunicação está em decadência.
No segundo turno, Collor venceria Lula por uma diferença de 4 milhões de votos (35,1 milhões a 31,1 milhões de votos ou 49,9% a 44,2%). Ao contrário de representar apenas um sonho numa noite de verão, a eleição de 1989 foi o primeiro, e eu diria, o mais importante passo da trajetória que tornaria Lula presidente do Brasil 13 anos depois.
O mundo muda. A esquerda também?
O ano de 1989 demarcará campo na política nacional representando, ao mesmo tempo, o fim de um ciclo político fortemente marcado pelas mobilizações democráticas contra o regime militar e pelas reformas que a esquerda sempre defendeu para o Brasil, e o início de um outro, onde a hegemonia do conservadorismo das idéias neoliberais, associado ao fim da URSS e do Socialismo Real e a emergência de uma nova ordem “global” colocarão a esquerda numa postura defensiva e cada vez mais ligada a uma estratégia de resistência à desestruturação dos Estados nacionais. Não foi por acaso que o chamado “Consenso de Washington” foi elaborado em novembro de 1989, quando o Brasil definiu sua situação política depois que suas elites empresariais aderiram ao ideário do neoliberalismo, após terem sido fortemente beneficiada pelo tão criticado, a partir de então, intervencionismo estatal.
Portanto, a atuação do PT e da esquerda na década de 1990 deve ser entendida dentro desse quadro de defensiva ideológica, de ampla e sólida unidade conservadora – conseguida finalmente, com a eleição de FHC, o queridinho da elite, – em articulação com o poder descomunal do capital financeiro nacional e internacional. Tudo isso se desdobrou num amplo programa cuja orientação geral estava inscrita nas 10 normas do chamado Consenso de Washington:
Disciplina fiscal, através da qual o Estado deve limitar seus gastos à arrecadação, eliminando o déficit público;
Focalização dos gastos públicos em educação, saúde e infra-estrutura;
Reforma tributária que amplie a base sobre a qual incide a carga tributário, com maior peso nos impostos indiretos e menor progressividade nos impostos diretos;
Liberalização financeira, com o fim de restrições que impeçam instituições financeiras internacionais de atuar em igualdade com as nacionais e o afastamento do Estado do setor;
Taxa de câmbio competitiva;
Liberalização do comércio exterior, com redução de alíquotas de importação e estímulos á exportação, visando a impulsionar a globalização da economia;
Eliminação de restrições ao capital externo, permitindo investimento direto estrangeiro;
Privatização, com a venda de empresas estatais;
Desregulação, com redução da legislação de controle do processo econômico e das relações trabalhistas;
Propriedade intelectual.
Entretanto, a implantação dessa política no Brasil durante o governo Collor não foi tão simples por conta, principalmente, do desastrado Plano Collor, que se iniciou com o “confisco” da poupança, o que atingiu especialmente os mais pobres (a idéia era impedir que, com a estabilização monetária, os pobres corressem às compras como ocorrera com o Cruzado), e com o congelamento de preços e salário (detalhe: a inflação de 84% do mês anterior não foi repassada aos salários, tendo sido esse a mais violenta contra a economia popular). Essas medidas e o fracasso subsequente do plano econômico determinaram o início do isolamento político de Fernando Collor, que culminaria com seu impeachment.
Sem apoio popular e com frágil base parlamentar, Fernando Collor não conseguiu forças para completar seu projeto de reformas neoliberais. A volta da inflação fez retornar o pesadelo da eleição de Lula. Em meio à crise, dois acontecimentos são reveladores do quanto determinadas decisões podem decidir o futuro de embates políticos. A primeira, a decisão do PSDB de não aceitar o convite de Collor para participar do governo, tomada por conta da oposição de Mário Covas, quando contava a posição favorável do candidato a ministro Fernando Henrique Cardoso. Caso o PSDB tivesse aceitado o convite, FHC teria sido Presidente da República ou o PSDB teria indicado o candidato? A segunda, foi a decisão do PT e de toda a esquerda de lançar a campanha pelo impeachment de Collor, posição que, devido ao crescente apoio popular, aos poucos foi recebendo o apoio de partidos como o PMDB, depois da Globo e, finalmente, do grande empresariado. Caso Collor tivesse permanecido no governo, as chances de Lula não seriam muito maiores num pleito em que, mais uma vez,não existiam candidato com liderança nacional capazes de se contraporem ao candidato do PT?
A campanha pelo impeachment de Collor e a reaglutinação da direita
O fato é que o impeachment de Collor promoveu uma reaglutinação de forças conservadoras no governo Itamar Franco, mesmo com personalidades de esquerda compondo-o, cujas novas bases permitiram a elaboração do Plano Real e a criação de uma alternativa presidencial com fortes vínculos com o empresariado paulista e, por conta dos resultados do plano, com forte apoio popular.
Eis que, paradoxo dos paradoxos, uma campanha com forte participação popular, especialmente estudantil, e hegemonizada pela esquerda, acabou resultando em uma reorganização da direita e criando, com o afastamento do ex-presidente, as condições para que, finalmente, o programa do Consenso de Washington tivesse um governo com força política para implementá-lo no Brasil. Mesmo com mobilização social, a campanha do “Fora Collor” teve um conteúdo quase que exclusivamente voltado para a denúncia contra a corrupção, o que ajudou a inserir enorme contingente de estudantes de classe média dos grandes colégios privados, que nunca haviam saído às ruas para protestos.
Esses estudantes pintaram alegremente os rostos embalados ao som de “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso, que passou a representar a “rebeldia” dos estudantes de 1968, não por acaso em substituição a “Caminhando e cantando”, desde sempre o hino daquela geração. Os versos de contestação política de Vandré “Vem, vamos embora/que esperar não é saber/quem sabe faz a hora/não espera acontecer” foram substituídos pelo desbunde despolitizado da tropicália: “Caminhando contra o vento/Sem lenço e sem documento/No sol de quase dezembro/Eu vou.../Por que não...”
E aí de quem falasse em neoliberalismo. E aí de quem tentasse vincular o movimento a partido. O movimento era “dos estudantes” e era contra a corrupção. E só. Sem dúvida, o movimento contra o impeachment de Collor pavimentou o discurso para o retorno com força do udenismo de classe média, cujo movimento “Cansei” organizado contra Lula exprime um esforço desajeitado de recriar 1992. Enfim, a “eficiência” da esquerda para mobilizar, potencializada pela divulgação e apoio da grande imprensa (havia mesmo algo de podre do Reino da Dinamarca), ajudou a derrubar um governo impotente e, portanto, incapaz de implantar as mudanças que a elite financeira esperava.
Plano Real: suporte político para eleger FHC e implantar as reformas neoliberais
Cumprido o objetivo de afastar Collor, o objetivo seguinte foi mais uma vez tentar sepultar a candidatura de Lula, o que foi feito com o Plano Real e os mais de 40 bilhões de dólares que o governo Collor havia deixado em reservas cambiais, sem os quais não teria sido possível o Real, cuja paridade com o dólar exigia imenso suporte financeira para ser bancada. Esse, mais o fato de que, excluído o Ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, a mesma equipe econômica de Collor foi mantida por Itamar e depois por FHC, deixando claro que o Plano estava sendo elaborado e seria implementado durante o governo Collor.
Itamar Franco ofereceu de bandeja a candidatura a presidente ao político decadente Fernando Henrique Cardoso, que dificilmente se reelegeria para o Senado. FHC foi o candidato que faltou em 1989 para unificar a elite e, com a ajuda da Globo (“escondendo o que era ruim e divulgando o que era bom”), de uma aliança com o PFL e o PTB, com quem a aliança foi feita para construir o suporte político do futuro governo, e com o apoio quase que unânime do grande empresariado, principalmente dos bancos, tornou-se rapidamente o candidato favorito e que venceria as eleições ainda no primeiro turno.
Os erros cometidos pelos grandes partidos em 1989 cuidaram de ser revistos. Primeiro, cuidaram de reduzir o mandato dos presidentes de 5 para 4 anos, coincidindo a eleição de presidente com a de governador, senador e deputados. Depois, foram criadas regras extremamente rígidas para a propaganda eleitoral, a principal arma para a ascensão de Lula antes: os programas eleitorais deveriam ser feitos em estúdio, sendo proibidas toda e qualquer imagem externa (como comícios, por exemplo); só os candidatos podiam falar, sendo proibidas as aparições de qualquer outra pessoa (artistas cantando o Lula, lá, por exemplo). Quase um jogo de cartas marcadas.
Em relação à eleição anterior, Lula conseguiu ampliar os apoios para sua candidatura, incorporando, além dos partidos que compuseram a Frente Brasil Popular (PT, PCdoB e PSB), o PV, o PCB e o PPS, que lançaram candidatos em 1989 (Fernando Gabeira, pelo PV, e Roberto Freire, pelo PCB que se tornou PPS), além do PSTU, partido que nasceu quando a dissidência trotskista (Convergência Socialista) finalmente rompe com o PT e sai do partido.
Isolado na esquerda, Lula buscou apoio ao centro. O primeiro sinal disso se verificou nas cores da campanha, onde o vermelho onipresente de 1989 foi substituído pelo branco e verde. Depois, pela temática que demarcou o discurso programático, agora centrado na “cidadania”, cujo termo foi incorporado ao nome da coligação de 1989: Frente Brasil Popular pela Cidadania. Por outro lado, temas centrais na campanha anterior como endividamento externo e privatizações foram tratados de forma ambígua ou foram temas simplesmente ignorados. A reforma agrária foi defendida respeitando as terras produtivas.
É possível creditar essas mudanças apenas na conta de uma guinada do PT em direção ao centro, ou mesmo uma capitulação ao status quo, como preferem correntes mais à esquerda, como o PSTU. Mas, é importante verificar tanto as condições internas e externas, bem como a natureza de partido de massas como o PT, que reivindica conquista o poder respeitando as regras do jogo democrático “burguês”.
As críticas de que o PT perdeu sua identidade originária provém de setores conservadores temerosos de uma aglutinação social em torno do projeto do PT, buscando desqualificar o partido como de esquerda, ou seja, como um partido que perdeu seus referenciais e tornou-se igual aos outros. As críticas referentes à capitulação petista levam em conta apenas uma visão pseudo-revolucionária que rejeita toda e qualquer aliança, independente das condições políticas.
E as condições de 1994, como já dissemos, não eram nem um pouco favoráveis, nem na América Latina nem no mundo. A esquerda vivia uma das maiores crises de sua história, logo após a queda do Muro de Berlim e do fim da URSS. Na América Latina, a direita neoliberal era amplamente hegemônica. Enfim, a condições para a apresentação de um projeto com a radicalidade que se propunha o que foi apresentado em 1989 eram limitadíssimas, além de empurrar o PT para o isolamento político.
Mesmo assim, a identidade de esquerda foi preservada e mesmo com todas as críticas, Lula e o PT continuaram a aglutinar os setores populares. E Lula ampliaria sua votação no primeiro turno de 1994 em relação à de 1989, tendo obtido 17.122.127 votos, ou 27,04%, um crescimento, em termos percentuais, de mais de 10%. Brizola chegaria ao fundo do poço naquela eleição, quando obteve 3,18% dos votos, ficando atrás de Enéas Carneiros e Orestes Quércia, que obtiveram 7,38% e 4,38% da votação.
A eleição de FHC deu início finalmente às reformas neoliberais que desde o final da década anterior eram receitadas para o Brasil para viabilizar sua “modernização”. Com o suporte político dos partidos que formaram a sua coligação (PSDB, PFL e PTB) que, juntos, fizeram 182 deputados, número insuficiente para criar uma maioria sólida, FHC cuidou de ampliar sua base com acordos regionais com o PMDB – como o que foi feito aqui na Paraíba, cuja chapa majoritária ao governo apoiou a candidatura de FHC, – que, sozinho, elegeu 107 deputados naquela eleição, mesmo número de deputados eleitos pelos partidos de esquerda (PT, PDT, PSB e PCdoB), – e com outros partidos conservadores, como o PPR, PP e PL.
A soma dos parlamentares desses partidos que apoiaram o governo FHC superava os 390, número bastante superior aos 342 necessários para aprovar as mudanças constitucionais que o PSDB esperava fazer, a exemplo da quebra dos monopólios das estatais, associada a nova definição para capital estrangeiro e a eliminação das restrições para sua atuação no mercado brasileiro, processo que, nesse âmbito, se completaria com uma acelerada política de privatizações das estatais. Tudo isso resultou numa verdadeira internacionalização da economia brasileira.
Empresas como Vale do Rio Doce, todo o sistema de telefonia e todo o sistema de distribuição de energia elétrica, por exemplo, setores antes considerados estratégicos, passaram às mãos de empresas e bancos nacionais e estrangeiros. A resistência da esquerda e o apoio que empresas como Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica tinham da população impediram que a sanha privatista do PSDB avançasse sobre elas. Pelo menos, naquele estágio do processo. Mesmo assim, FHC conseguiu quebrar o monopólio da exploração do petróleo abrindo a exploração do subsolo à empresas privadas e converter a atuação de bancos estatais em bancos privados, retirando-lhes o papel de financiadores de ações estratégicas de desenvolvimento. Além disso, entrou na ordem do dia temas como reforma trabalhista (flexibilização da CLT), reforma da previdência (restrição aos direitos do aposentado) e reforma tributária.
Além do suporte político, FHC conseguiu um impressionante suporte financeiro externo. Ainda antes de tomar posse, o mundo foi sacudido pela crise do México, país que era, até então, modelo para a América Latina. A crise mexicana foi detonada, em grande medida, devido a sobrevalorização da moeda daquele país, o Peso, o que produziu crescentes e bilionários déficits na balança de pagamento por conta do aumento das importações, que foram financiados com a entrada de “investimentos” financeiros de curto prazo. Quando os EUA entraram em crise e os juros foram lá rebaixados, ocorreu uma grande fuga desses investidores para o seguro mercado americano. Tentando evitar o desastre, o governo mexicano quase que liquidou suas reservas internacionais, que já eram minguadas (U$ 30 bilhões), ficando no patamar dos U$ 5 bilhões, o que levou ao fim do sistema de câmbio fixo. Incapaz de financiar a economia, o México literalmente quebrou, arrastando países que dependiam desses financiamentos de curto prazo como o Brasil.
Entre 1997 e 1998, o mundo voltou a ser sacudido por outras duas grandes: a da Ásia, que envolveu todo o Sudeste asiático, incluindo a Coréia e o Japão – prenúncio de que as crises começavam a atingir o coração do sistema, – e a da Rússia, depois que aquele país decretou a moratória da dívida externa devido aos efeitos da crise financeira mundial, o que gerou mais pânico. Todas essas crises tinham algo em comum: moedas atreladas ao dólar – caso da Tailândia, onde foi detonada a crise asiática – e suporte financeiro do capital rentista às moedas locais – ao sinal de cada instabilidade, essas economias eram abandonadas à própria sorte, ficando os Estados e as sociedades com o ônus da crise.
Com o diferencial de que aqui, em razão das experiências mal-sucedidas de câmbio fixo atrelado ao dólar, optando-se pelo sistema de “banda cambiais” em que o dólar podia “flutuar” dentro de valores considerados aceitáveis, o Brasil trilhava o mesmo caminho: dólar sobrevalorizado (o Real, durante quase todo o primeiro governo FHC, “flutuou” abaixo de 1 dólar), favorecendo as importações de bens de consumo, mas também de bens de capitais para as empresas estrangeiras que se começavam a se instalar no Brasil, o que era uma maneira de financiamento indireto dessas empresas; dependência de capitais de curto prazo, o que, para atrair esses “investidores”, os juros foram mantidos sempre superiores ao patamar próximo dos 25% e que levou sempre ao governo a produzir “superávits primários”, comprometendo recursos cada vez maiores do orçamento com o pagamento de juros e multiplicando a dívida interna (nos 8 anos do governo FHC, a dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para R$ 1 trilhão). O fato é que durante os anos de 1991 e 1998 a dívida externa saltou de valores próximos aos 100 bilhões de dólares para quase 250 bilhões, resultando principalmente dos impactos das crises externas.
Nos primeiros 4 anos do Real, a estabilidade monetária teve um custo incalculável para as gerações futuras de brasileiros: venda financiada com recursos públicos de um patrimônio estatal de trilhões de dólares, repassados a preço de banana a empresas e banco privados, aumento criminoso da dívida pública pela via de uma política de juros que objetivava das imensa rentabilidade a bancos e “investidores” do mercado financeiro, queda brutal do investimento público em infra-estrutura, saúde pública, e em educação, especialmente, desestruturação do Estado e de suas funções reguladoras sobre a economia nacional.
Foram 4 anos de resistência e de muitas derrotas para esquerda. Num quadro assim, enquanto o bloco conservador se perfilava cada vez mais ao lado do PSDB, no outro lado da trincheira a esquerda buscou se unir. Leonel Brizola aceitou candidatar-se a vice na chapa de Lula, iniciando uma aproximação com o trabalhismo que faltava aos petistas. O PCdoB já apoiara Brizola quando ele disputou o governo do Rio de Janeiro, em 1990. Ao PT, coube incorporar o discurso da tradição nacional-desenvolvimentista dos trabalhistas e expressá-la cada vez no seu programa, com as atualizações necessárias. Em 1998, o PT havia se tornado o desaguadouro de todas as tradições da esquerda brasileira, convertendo-se em um partido que começa a aliar uma base social de origem popular, incorporada num partido de esquerda de massas, temperado por um amadurecimento programático que não abandona o sentido histórico das mudanças que o Brasil necessita, mas reconhece as limitações política para promover uma drástica ruptura, senão para o socialismo, mas para um modelo de desenvolvimento dirigido para promover a monumental distribuição de renda que o Brasil necessita. Digamos que a estratégia do PT seja de uma modernização popular, feita por dentro do sistema, lenta e gradual.
A eleição de 1998 realizou-se em meio aos estilhaços da crise asiática e em plena crise russa. O Brasil caminhava mais uma vez para a bancarrota e os “fundamentos” que sustentavam o Real davam seus últimos suspiros. FHC, adornado agora pelo apoio do PPB malufista e com o aval informal da maioria peemedebista, que ofereceu em holocausto a candidatura de Itamar Franco para facilitar a vida eleitoral de FHC, se apresentou em plena crise como o mais capaz para enfrentá-la, apoiado como sempre pela grande imprensa, especialmente a Rede Globo. Mesmo com o Real cambaleando, a inflação manteve-se sob controle, junto com a unidade da elite que apoio FHC, que obteve quase o mesmo percentual de 1994, vencendo no primeiro turno: 53,06%, mais uma estreita margem que evitou o debate e a polarização do segundo turno.
Lula, mesmo com todas as dificuldades, continuou avançando e chegou a 31,7% dos votos. Ciro Gomes, que entrou na disputa pela primeira vez, obteve 10,97%.
Esses 3 personagens iriam novamente se encontrar nos 4 anos que se seguiram àquela eleição. Um deles representando a herança de um país em crise e de joelhos. Os outros dois, apontando novos caminhos.
Finalmente o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reconheceu nesta quinta-feira, 18, que a administração de seu aliado José Roberto Arruda (ex-DEMos), governador licenciado do Distrito Federal (DF) por motivo de prisão, perdeu a legitimidade.
Serra evitou, no entanto, tomar partido a respeito de uma possível intervenção do governo federal na administração do DF:
"Intervenção sempre é complicada, é uma situação bastante delicada. Isso tem de ser bem pesado".
Serra tem motivos para se preocupar com uma intervenção. Uma devassa no governo do DF, em seus contratos, pode mirar em um careca e acertar dois.
As mesmas empresas que aparecem na operação Caixa de Pandorra tem contratos polêmicos com a prefeitura de São Paulo (desde quando Serra era prefeito), e também com o governo estadual tucano (antes e depois da posse de Serra):
- A Uni Repro Serviços Tecnológicos Ltda., mantém 35 contratos com o governo do estado de São Paulo, no valor total de 38 milhões de reais.
- No governo Serra e Alckmin, a Uni Repro firmou contratos entre 2002 e 2009 para prestação de serviços às secretarias estaduais de Saúde, Educação, Esportes e de Direitos da Pessoa com Deficiência e a órgãos e empresas estatais como o Instituto Florestal, Sabesp, Nossa Caixa (incorporada recentemente ao Banco do Brasil), Companhia do Metropolitano (Metrô), Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Os contratos, ainda em vigor, preveem a locação de máquinas copiadoras analógicas, confecção e fornecimento de impressos e serviços de reprografia, heliografia, plastificação e encadernação, entre outros.
- Na gestão Kassab, a Uni Repro recebeu 48,1 milhões de reais por diversos contratos entre 2006 e 2009.
- Outra empresa citada no esquema do DEM em Brasília, a Call Tecnologia, também presta serviços à Prefeitura de São Paulo e recebeu, de fevereiro de 2006 (quando Serra ainda era prefeito) até novembro deste ano, 58,8 milhões de reais.
- Saíram dos cofres da Prefeitura de São Paulo, no total, 106,9 milhões de reais- para as duas empresas envolvidas no escândalo;
- Uma sócia da Uni Repro, Virginia Wady Debes Pacheco, também é sócia da AMP – Serviços de Diagnóstico por Imagem Ltda., conhecida pelo nome fantasia Amplus. Esta empresa foi denunciada em abril à Procuradoria da República de São Paulo. A Amplus foi contratada pela prefeitura paulistana em março de 2006 (ainda na gestão de Serra), para oferecer serviços de diagnóstico por imagem, em um período de três anos, no valor de 108 milhões de reais. Dois anos depois, o Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM) julgou irregulares o pregão, o contrato e o seu aditamento. Determinou, então, a suspensão do acordo. A Secretaria Municipal de Saúde demorou oito meses para cumprir a ordem do TCM. A prefeitura definiu novos operadores do serviço no ano passado, a apenas quinze dias do fim do contrato. Leia mais aqui.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez hoje (18) um balanço das ações do governo federal para as delegações internacionais que participam do 4º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Eu fiz um discurso sobre o presente e o futuro, e nós temos muito o que mostrar. É fácil para nós”, afirmou ao participar da abertura do evento.
O congresso ocorre até sábado (20), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O encontro reúne 1.350 delegados, para discutir as eleições deste ano e a política de alianças do partido.
No sábado, Dilma será indicada, oficialmente, pelo partido, como pré-candidata à Presidência da República. A ministra disse que, em 30 dias, deixará o cargo, por causa das eleições, e que até lá tudo permanece igual.
Perguntada sobre a declaração do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de que ele não ficará mais na clandestinidade e ajudará a campanha dela, Dilma disse que o apoio será benvindo.
“Ele é um dirigente do partido e como tal será considerado. Todos os dirigentes e militantes do PT são benvindos até porque deles eu dependo para me eleger”, destacou a ministra. Dilma afirmou que já reservou uma roupa vermelha para usar no sábado.
O país registrou em janeiro o melhor saldo de geração de empregos para o primeiro mês do ano na série histórica iniciada em 1992. De acordo com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira, foram criados 181.419 vagas formais, indicando aumento de 27% frente a janeiro de 2008, quando haviam sido criados 142.921, melhor marca até então.
Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, os números de janeiro vão ao encontro da expectativa de crescimento da economia e da meta de criação de 2 milhões de vagas em 2010 estipulada pelo ministério.
Em janeiro de 2009, o Caged havia registrado uma eliminação de 101.748 postos de trabalho formais. Nos últimos 12 meses, foram criados 1,2 milhão de vagas no país.
No mês passado, seis dos oito setores de atividade econômica apresentaram expansão no emprego. A indústria de transformação teve geração recorde para um mês de janeiro, com a criação de 68.920 empregos, 17% acima do recorde anterior observado em janeiro de 2008 (59.045).
O setor de serviços também teve geração recorde, considerando o primeiro mês do ano, com a criação de 57.889 vagas formais.
Já a construção civil teve 54.330 postos formais criados, o que significou o melhor desempenho para todos os meses dentro da série histórica do Caged.
Ver a Folha de São Paulo, entrando em desespero depois que a pesquisa de ontem, deu que a ministra Dilma subiu 8 pontos...Não tem preço...Leia essa publicada hoje no jornal
O maior erro da oposição venezuelana, e a concorrência ao título é enorme, foi o boicote às eleições de 2005. O resultado foi um controle total do Legislativo, armação perfeita para o golpe constitucional chavista.
Oposição fraca geralmente significa democracia fraca. No cenário mais extremo, a oposição no Brasil pode virar residual em 2011 se José Serra não concorrer à Presidência.
As coisas já estão pela hora da morte. A prisão de José Arruda é outro prego no caixão do DEM, que um dia sonhou ser a direita renovada de que o país precisa.
O PSDB é um bloco de vaidosos desunidos, sãopaulocêntricos, indefiníveis (direitistas de esquerda ou esquerdistas de direita?), sem pose e sem discurso diante do sucesso estrondoso de Lula.
Mas o PSDB tem um candidato presidencial forte, José Serra, que, por recall, méritos ou algo que não sabemos, ainda lidera as pesquisas, mesmo fugindo da campanha e enfrentando uma máquina federal com força nunca antes empregada nesta nova República.
Estrategista, cerebral, Serra calcula que não precisa entrar na chuva para se molhar agora, com Lula e Dilma loucos por briga até para que a neopetista apareça e cresça.
Serra hesita, cheio de razões: a megapopularidade de Lula, a economia virtuosa, a fraqueza da oposição, a supermáquina federal.
A decisão é difícil para quem tem como quase certo mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes, a segunda cadeira mais importante do país.
A desistência de Serra transforma Dilma em favorita máxima, se já não o é. Abre também caminho para um segundo turno Dilma-Ciro e outras conseqüências sísmicas --uma Venezuela 2005 à brasileira, com a oposição, se não sumida como lá, pequena o suficiente para dar a PT e aliados maioria mais do que qualificada, capaz de desviar o país do consenso atual, tão tardio quanto essencial.Pousou carcará no Palácio dos Bandeirantes. Se correr, o bicho pega, se ficar, ele come.-Sérgio Malbergier editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo
“Em menos de 12 horas, distritais fizeram com vice o que levaram quase três meses para fazer com Arruda
Mário Coelho, Congresso em Foco
Em menos de 12 horas, os deputados distritais aprovaram os três pedidos de impeachment contra o governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM). Durante sessão extraordinária, realizada no plenário da Casa, os parlamentares aceitaram, por 14 votos favoráveis e 10 ausências, a abertura do processo por crime de responsabilidade contra Octávio. Eles seguiram o relatório apresentado por Batista das Cooperativas (PRP), relator das matérias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Foram aceitos os pedidos protocolados pela Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF) e pelo PT do DF.
Os pedidos de impeachment contra Paulo Octávio foram protocolados na semana passada. Na manhã desta quinta-feira (18), a Procuradoria da Casa apresentou parecer favorável para três dos processos apresentados. Na noite de hoje, os relatórios de Batista das Cooperativas foram aprovados em plenário. Agora, eles seguem para a Comissão Especial. Em um dia, os distritais fizeram com Paulo Octávio o que com o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) levou quase três meses.
Ao aprovar os pedidos de impeachment contra Paulo Octávio, a Câmara tenta dar mostras de que está fazendo o trabalho de investigação sobre o esquema de propina envolvendo membros do Executivo e do Legislativo descoberto após a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. É uma clara reação aos sinais dados pela Justiça após a prisão de Arruda, de que interviria no DF caso ficasse clara a omissão do Legislativa local. Os distritais entenderam o recado e resolveram começar a trabalhar. Até a prisão do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), os distritais governistas articulavam para colocar as denúncias para debaixo do tapete. A avaliação feita por oposicionistas era de que nenhum deputado que responde a processo por quebra de decoro parlamentar seria cassado.” Matéria Completa, ::Aqui::