terça-feira, 26 de abril de 2011

Tucanos, mestres em aparelhar o Estado

Seis vereadores tucanos saem de uma só vez do partido numa semana; na anterior havia saído o ex-ministro da Fazenda, Luís Carlos Bresser Pereira; e agora sai o ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas, Walter Feldman, um dos fundadores do PSDB, e desde 2005 secretário na máquina da Prefeitura Municipal da Capital paulista.

As oito deserções (por enquanto), todas na maior base - ou ninho - tucano no país, São Paulo. Tudo indica que a crise do PSDB é maior até do que indicam essas preliminares. Não há dúvidas de que há uma cisão e uma grande dissidência que podem se transformar numa debandada à esquerda, já iniciada por Bresser Pereira.

De todo modo, à esquerda, uma debandada de pequena dimensão, já que sobraram poucos sociais-democratas no ninho tucano. Já em termos numéricos uma deserção maior em se tratando de serristas e descontentes de todo tipo com a troca de guarda no aparelho do Estado de São Paulo, totalmente dominado pelas diferentes facções tucanas - as serristas e as alckmistas.

Fora as ramificações do senador Aécio Neves (PSDB-MG) que, como presidenciável de 2014, já fincou suas cunhas em terras paulistas. O que estamos assistindo, então, é um strip-tease público de como os tucanos aparelham o Estado e usam os cargos públicos para controlar o partido

blog do Zé© - Luta é pelo controle da máquina eleitoral

Alckmin vingou-se e massacrou todos os serristas em 2010... Para além da decomposição do PSDB e das divergências políticas aparentes, tudo o que vemos dentro do tucanato é a luta pelo controle da máquina eleitoral e dos espaços políticos que permitem as candidaturas proporcionais e majoritárias em 2012 (eleições municpais) e em 2014 (a presidencial).

Neste imbróglio, temos que lembrar que o governador tucano paulista, Geraldo Alckmin, derrotado pelos serristas em 2008, quando disputou e perdeu a prefeitura paulistana, massacrou todos eles agora, ...na eleição de 2010. A maioria não se elegeu e agora vê como melhor alternativa a formação do PSD pelo grande e incondicional aliado do serrismo, o prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB).

O PSD é, na verdade, a saída que um dos grupos serristas - o de Gilberto Kassab - encontrou tanto para a crise do DEM, levado à ruína pelo grupo do ex-prefeito do Rio, César Maia e do atual líder no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), como para o confronto desigual com Alckmin.

Guerra é pelo controle da máquina do partido


O governador Alckmin, por sua vez, nada cede. Pelo contrário, avança nos espaços do partido o quanto pode por entender que o seu grupo precisa controlar o PSDB desde São Paulo (maior secção do partido no país) para viabilizar sua candidatura em 2014.

Discussão programática, análise das derrotas (três presidenciais sucessivas, 2002, 2006 e 2010) e da crise do partido, debate sobre o Brasil...nada disso existe no ninho tucano.

O que estamos assistindo, ao vivo e a cores, é exatamente a nefasta prática que o tucanato,  José Serra à frente (presidenciável derrotado em 2002 e 2010), tanto trombeteou durante a campanha eleitoral de 2010 acusando o PT daquilo que eles são mestres, tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais: aparelhar o Estado.

Petistas já discutem troca de comando


 O afastamento de José Eduardo Dutra da presidência do PT, desde 22 de março, deflagrou nos bastidores uma disputa interna por sua sucessão e atiçou o grupo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, já descontente com a condução do partido. Com problemas de saúde, Dutra está licenciado do cargo e não avisou ao PT se deixará definitivamente a direção do partido, embora tenha admitido a renúncia em conversas reservadas.
O Palácio do Planalto fará de tudo para manter Dutra no comando do PT. No partido, é ele o interlocutor de confiança tanto da presidente Dilma Rousseff como de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, que tem capitaneado as articulações para as eleições municipais de 2012.
Lula desautorizou os movimentos para substituir Dutra. Não admite discutir a sucessão no PT antes da hora e tem esperança na volta do afilhado político. Um petista que esteve com Lula disse que "a orientação é para ninguém mexer nisso agora. Não podemos agir como urubus".

O ex-presidente deve conversar com Dutra até esta quarta-feira (27), no Rio. Quer saber o real estado de saúde do amigo - portador de forte depressão, agravada por transtorno de ansiedade - antes que ele tome a decisão final sobre seu destino político. A contrariedade de Lula não é à toa. Desde o fim de março, petistas da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil - a mesma que ele integra, com Dirceu e o próprio Dutra - discutem a troca do presidente do PT, que tem mandato até 2013. Até agora, o mais citado para ocupar a cadeira, em caso de renúncia, é o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quem sabe e quem não sabe o que é trabalho escravo?

Ao ignorar definições que constam no Art. 149 do Código Penal e decisões de instâncias jurídicas como o Tribunal Superior do Trabalho (TST), deputado federal Irajá Abreu dá margem a reparos e indagações
Por Repórter Brasil
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, conhecida como PEC do Trabalho Escravo, prevê o confisco da propriedade em que houver mão de obra escrava e aguarda votação na Câmara Federal desde 2004. Ao discorrer sobre a matéria em entrevista ao site Congresso em Foco, o deputado federal Irajá Abreu emitiu opiniões a respeito do trabalho escravo contemporâneo.

Numa das respostas, o jovem e estreante parlamentar que vem a ser filho da senadora e presidenta da Confederação de Agricultura e Pecuária (CNA) Kátia Abreu e também está de mudança do DEM para o PSD, assim disse:

"Se perguntar para o Ministério do Trabalho, eles não sabem a diferença [entre trabalho escravo, trabalho degradante e trabalho análogo à escravidão]"
Não contente em colocar o discernimento dos servidores da pasta federal em xeque, o parlamentar assumiu por conta própria, no meio da entrevista, a tentativa de estabelecer parâmetros para a suposta tripla distinção.

Ao ignorar tanto as definições que constam no Art. 149 do Código Penal quanto decisões de instâncias como o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o deputado dá margem ao lançamento da seguinte indagação por parte do Blog da Redação da Repórter Brasil: Quem é que não sabe (ou não quer reconhecer) a diferença entre irregularidades trabalhistas e escravidão contemporânea?

Há um mês, o Blog da Redação desafiou outro ruralista - o deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO) - a apresentar um único exemplo concreto em que houve caracterização de trabalho escravo simplesmente pelo ato de "comer um prato de comida na sombra de uma mangueira". Até o presente momento, não houve resposta do congressista, que ainda não comprovou a sua tese.

Uma década e meia
O Massacre de Eldorado dos Carajás, em que 19 sem-terras foram mortos e outras dezenas acabaram feridos em violenta ofensiva policial, completou 15 anos em 17 de abril. O tema foi tratado em post do Blog da Redação.

Por ocasião da data, as famílias sobreviventes divulgaram um manifesto que condena a impunidade que beneficia os responsáveis pelo trágico episódio ocorrido no ano de 1996. O documento aborda também a consolidação do Assentamento 17 de Abril e a luta pela reforma agrária no Estado do Pará.

Confira mais detalhes clicando no link do Blog da Redação

Ou acesse diretamente www.reporterbrasil.org.br/blogdaredacao

Bancarte traz nomes consagrados da música brasileira à João Pessoa

De 28 de abril a 1º de maio, os bancários vão mostrar que fazem muito mais do que pagamentos, recebimentos e outras operações financeiras. A sétima edição da mostra de arte e cultura Bancarte abre as portas do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários da Paraíba (Seeb), em Tambauzinho, para que o público possa apreciar exposições e shows musicais - em sua maioria, feitos pelos próprios trabalhadores de agências bancárias em todo o estado. A partir das 21h, grandes atrações subirão ao palco do Seeb, como Geraldo Azevedo, Nando Cordel, Santanna O Cantador e Os Três do Nordeste. A mostra começa às 19h e a entrada é franca.

A abertura do evento contará com a presença do escritor, poeta e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, homenageado do Bancarte 2011, que apresentará uma das suas "aulas-espetáculo", conhecidas por mostrar a riqueza cultural do povo nordestino, em uma apresentação que reúne literatura, música, dança e uma dose de bom humor. "Era um sonho nosso trazer o Ariano, porque achamos que ele sintetiza o imenso valor das artes e da cultura do nosso estado e do Brasil inteiro", ressaltou o presidente do Seeb-PB, Marcos Henriques. Os bancários homenageados desta edição do Bancarte são os poetas Pedro Fernandes, aposentado do Banco do Brasil, e José de Souza, o Souzinha, do Banco do Nordeste (BNB), que receberá uma homenagem póstuma.

Das 19h às 21h, haverá apresentações de grupos folclóricos, com danças populares e folguedos tradicionais. "Estamos fiéis ao compromisso de exaltar a temática da cultura popular. As danças populares constituem em uma farta gama de arte vinda do povo, para o povo", destacou Marcos Henriques.
Na sexta-feira, 29, haverá shows com Santanna O Cantador e Os Três do Nordeste. O trio trará um show especialmente montado para celebrar os 40 anos de carreira do grupo. O show terá a participação dos poetas-cantores Raimundo Nonato e Nonato Costa, conhecidos como Os Nonatos, que também estão comemorando 20 anos de formação da dupla.
O sábado, dia 30, será dedicado ao Festival de Música do Bancarte, um concurso de cantores bancários que também é promovido anualmente. A noite do sábado termina com os shows de Nando Cordel e Geraldo Azevedo no ginásio de esportes do Sindicato. Ambos tiveram novos CDs lançados no ano passado.
  O último dia do Bancarte será dedicado às crianças. Não casualmente marcado para o Dia do Trabalhador, o público terá uma programação lúdica, com espetáculos teatrais, oficinas, jogos e brincadeiras durante todo o dia. "Esta fórmula fez sucesso no ano passado, e por isso decidimos repetir a dose", ressalta Marcos Henriques.
Fonte: O NORTE ON LINE



terça-feira, 19 de abril de 2011

Ex-governador chama FHC de 'múmia'

Palavras mal proferidas
Cláudio Lembo, para o Terra
De São Paulo

A última semana foi farta em acontecimentos político-partidários. Lançamento de novo partido. Finalização por Comissão do Senado de parecer sobre a Reforma Política. Só estes fatos bastariam para preencher a pauta de todos os veículos informativos. Houve mais, porém. As lideranças políticas - vivas e mumificadas - disseram o que queriam e ouviram o que não queriam.

Um texto político é muito diverso de um trabalho acadêmico. Neste as idéias devem jorrar sem qualquer limite. É a criação. Indica, por vezes, novos caminhos. Abre perspectivas. Novas veredas para o conhecimento.

O documento político, por seu turno, deve receber forte cuidado de seu autor. Com suas idéias ele está envolvendo toda a militância de sua agremiação e pode ferir sensibilidades da sociedade.

É, pois, imperdoável para o líder político equivocar-se nas palavras ou escrever descuidadamente. No mínimo demonstra profunda soberba e total desrespeito a seus pares. Muitos são os temas na sociologia contemporânea suportados em aspectos político-partidários das sociedades democráticas. Grandes espaços do mundo - dentre eles a América Latina - conheceram a plenitude das práticas democráticas há menos de cinqüenta anos.

Ingressar em terminologia chula para se referir ao conjunto do coletivo eleitoral é barbarizar as instituições e desrespeitar a cada eleitor em particular. Não há, na nossa legislação, o voto censitário. Aquele que dividia o eleitorado de conformidade com sua capacidade contributiva ou os bens que possuía.

A República adotou o voto universal, abandonando as velhas práticas da monarquia. Todo eleitor conta com um voto de igual peso ao de todos os demais eleitores. No momento atual, paira no ar uma vontade de retorno ao passado por parte de alguns políticos. Um divide o eleitorado de conformidade com visões elitistas.

Outros desejam retomar ao sistema de lista fechada. Este perdurou durante o Império e se transformou em instrumento de extinção das oposições. A situação tornou-se tão insustentável que, em determinado momento, D.Pedro II resolveu por instituir listas incompletas. Desta forma, permitia-se a eleição de representantes oposicionistas.

Apesar da experiência existente na História eleitoral pátria, alguns dos atuais legisladores parecem desconhecer o passado ou não se preocupar com os exemplos recolhidos por nossos antepassados.

Quando os tenentes de 1930 chamaram Assis Brasil para elaborar o novo Código Eleitoral, examinaram todos os contextos da sociedade e só depois editaram o novo diploma legal. A sociedade alterou-se profundamente nestes últimos oitenta anos, mas os princípios reformistas dos revolucionários daquela época mostram-se capazes de recolher as grandes mutações sociais.

Inseriram, por exemplo, na legislação nacional o voto feminino. Na época, era conquista que atingia a poucas mulheres. No entanto, hoje, qualquer estudioso de temas eleitorais, sabe que o voto da mulher é essencial para a conquista de vitórias eleitorais.

Neste longo intervalo de tempo, aconteceu a Revolução Tecnológica. Basta aproximá-la da Revolução Industrial e se captarão todas as novas situações surgidas ou por surgir.

A Revolução Industrial destronou a burguesia e deu espaço aos trabalhadores. Permitiu a concepção de partidos socialistas e o surgimento do comunismo. Hoje, a Revolução Tecnológica contém elementos ainda mais explosivos no espaço social. Deverá levar a individualismo sem precedentes na História. Fragilizara as religiões tradicionais. Conduzirá a um hedonismo acentuado.

Tudo isto leva a um mundo novo, onde alguns constatam a crise dos intelectuais e das velhas elites. Esgotaram-se as formas clássicas de fazer política. Não há espaço para príncipes expor - sem censura - suas opiniões. Todos somos iguais nesta grande aurora. As palavras, em sua forma clássica, encontram-se no ocaso.

Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

Jornal do Comércio destaca irregularidades nos PSFs do Sertão da PB

O jornal Pernambuco destacou em sua edição ON LINE as irregularidades na saúde dos dois municípios paraibanos e pede providências urgentes. O jornal do Comércio do Pernambuco trouxe em sua edição On Line um matéria envolvendo os dois municípios do Sertão da Paraíba, Cajazeiras e Bom Jesus. Confira:

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) acionou na Justiça, esta semana, as prefeituras de Bom Jesus e de Cajazeiras para obrigá-las a corrigir as irregularidades encontradas nas unidades básicas de saúde das duas cidades, a fim de garantir à população o direito à saúde com qualidade, conforme determina a Constituição da República.

As ações civis públicas estão tramitando na 4ª Vara de Justiça da Comarca de Cajazeiras, resultantes de procedimentos administrativos instaurados em 2009 pela Promotoria de Justiça para apurar as denúncias encaminhadas pelos órgãos de fiscalização (como Vigilância Sanitária e Conselhos Regionais de Medicina, Enfermagem e Farmácia) sobre a precariedade dos serviços. Além disso, apesar das cobranças do MPPB, os prefeitos e secretários de saúde dos dois municípios não tomaram as providências necessárias para resolver as irregularidades registradas, que persistem por cerca de três anos.

Dentre os problemas encontrados nas inspeções realizadas em 2008, 2009 e 2010 estão, por exemplo, a ausência de extintores de incêndio, toalhas e sabão líquido para higiene das mãos dos profissionais de saúde, falta de médicos e de acessibilidade nos prédios e problemas estruturais - como janelas sem telas de proteção contra insetos, infiltrações e ausência de salas para teste do pezinho.

Para o promotor de Justiça, grande parte das irregularidades constatadas pode ser solucionada com medidas simples que não pesariam no orçamento, como melhorar a organização dos serviços, a implementação de rotinas e o envio de anotações de responsabilidade técnica. “Mesmo diante das providências mais simples, os gestores públicos não demonstraram interesse em resolver os problemas por completo. Percebe-se, portanto, a omissão das prefeituras no cumprimento das determinações dos órgãos fiscalizatórios. É dever do Estado prestar serviço público de qualidade, notadamente o de saúde. Ao se omitirem na prestação deste serviço, os municípios cometem ato ilícito, na medida em que põem em risco a vida dos cidadãos”, argumenta o promotor.
Fonte: Ne10

Estados e municípios poderão financiar laptops para alunos de escolas públicas


O governo federal anunciou na sexta-feira (15/4) a oferta de linha de crédito destinada a financiar computadores portáteis a alunos matriculados na educação básica, dentro do Programa Um Computador por Aluno (Prouca). A linha de crédito será oferecida pela Caixa Econômica Federal e permitirá aos estados, municípios e o Distrito Federal financiar laptos para aos estudantes das escolas públicas de todo o país.
Segundo a Caixa, os equipamentos serão novos e com conteúdos pedagógicos que auxiliam o processo de ensino-aprendizagem. Para o vice-presidente de Pessoa Jurídica da estatal, Geddel Vieira Lima, a abertura dessa linha de crédito atende aos desafios estratégicos da empresa de consolidar-se como agente de políticas públicas, ampliando a relação com todos os entes da administração pública e a participação no mercado de crédito.
“Além disso, o programa é direcionado a um pilar do desenvolvimento do país: a educação. Tem como objetivo, qualificar e apoiar a capacidade de gestão das escolas públicas, com consequente melhoria do processo de aprendizagem e ensino”, explicou.
O Prouca conta com volume inicial de recursos de R$ 100 milhões para financiamentos. Os interessados no crédito podem obter informações no site do programa.
Características – Os laptops são equipados para acesso à rede sem fio e conexão à internet. Possuem tela de cristal líquido de 8,9 polegadas, bateria com autonomia mínima de 3 horas e peso de até 1,5 kg. Têm 1 GB (gigabyte) de memória RAM, e armazenamento de 4 GB, e material resistente a impactos e quedas. Os aplicativos, instalados nos equipamentos, são de software livre.

Fonte: www.blog.planalto.gov.br

domingo, 17 de abril de 2011

FHC desafia Lula a disputar uma eleição contra ele

Fernando Henrique Cardoso volta a disparar. Em entrevista ao jornalista Alexandre Machado em seu programa "Começando o Dia", que estreia na rádio Cultura FM, na segunda, desafia Lula para disputar uma eleição contra ele. Diz que Lula, "lá de Londres, refestelado em sua vocação nova [de palestrante]", se "dá o direito de gozar" de FHC. "Ele se esquece que eu o derrotei duas vezes. Quem sabe ele queira uma terceira. Eu topo." Deu na coluna da Mônica Bergamo

FHC deve estar fora de si. Ele derrotou o Lula quando tinha os bancos, as empreiteiras e a mídia toda do lado dele.Quando o povo era amordaçado e pensava que Lula era um comunista que comia criancinha,hoje as criancas são estudantes e tem e acesso á internet. As coisas mudaram com as novas mídias, (Blogs, orkut, Twitter, Facebook). E tem mais um detalhe; o povo, que Fernando Henrique mandou o PSDB abandonar, está mais consciente.O "povão" não esqueceu da compra de voto para reeleição e ás privatizações.

FHC, como sempre, apoiado pela grande midia, tenta sobreviver politicamente criando frases jocosas sem nenhum respaldo na realidade, porém, sempre amplificada pela imprensa a seu serviço e as fileiras reacionárias que o acompanham.O resultado dessa eleição podemos analisar pela aceitação que ambos deixaram o cargo: FHC 26% Lula 87%!..

Os meus queridissímos leitores, o que acham da proposta de FHC?

sábado, 16 de abril de 2011

CAMPEI!

CAMPEI!

Delúbio Soares (*)

Um dos acontecimentos mais marcantes da década passada e, seguramente, dos mais importantes da entrada do século XXI, foi protagonizado por duas grandes Nações: Brasil e China. Dois Estadistas visionários conduziram com segurança, discernimento e competência os rumos de suas economias, balizando o papel fundamental que elas desempenhariam nas décadas seguintes no contexto internacional e aproximaram de forma irreversível os seus destinos. Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao, não perderam a chance de dar os passos iniciais para que pudéssemos viver o excelente momento em nossas relações bilaterais.

O Brasil e a China, de forma pragmática e transparente, numa equação de co-responsabilidades e metas a serem alcançadas e cumpridas com a participação efetiva do capital privado, iniciaram uma parceria poucas vezes vista entre países de suas dimensões territoriais, importância política e interesses econômicos.  A efetiva parceria entre ambos os países pode ser constatada no imenso fluxo de mercado existente nos dias de hoje em todos os setores de nossa vida: o agronegócio, a mineração, a indústria têxtil, o setor petrolífero e de combustíveis, os eletro-eletrônicos e a tecnologia da informação, a indústria aeronáutica, dentre outros tantos.
Num trabalho paciente, alicerçado em negociação de altíssimo nível, o Brasil e a China removem pouco a pouco as barreiras residuais numa relação que se intensifica ao sabor do impressionante crescimento de ambos os países.  Não há mais mistério para o empresário brasileiro que desembarca em Pequim, Xangai ou Cantão, em busca de bons negócios. Nem há risco algum, além daqueles inerentes à economia de mercado, para o empreendedor chinês que buscar novas oportunidades no Brasil.
O Brasil, de 2003 para cá, deixou para trás uma década infame de idas e vindas aos balcões do FMI em situação falimentar, para experimentar uma verdadeira revolução social com a chegada de mais de 30 milhões de cidadãos à classe média. Nos tornamos, sob a égide da Era Lula, a sétima economia mundial e já estamos às portas da sexta colocação. A produção chinesa, que em 1980, detinha 1,90% no PIB global, em 2000 alcançava os 3,70% e hoje reina sob impressionantes 9,30%. Desde 2009 a China é o maior exportador do mundo; em 2010 tomou o lugar dos Estados Unidos na indústria e tornou-se a maior potência de manufaturados, com 19,8% da produção global contra 19,4% dos norte-americanos.
Nesse cenário, a visita da presidenta Dilma Rousseff à China – com pesada agenda de trabalho, mas coroada de êxito – é um marco não só nas relações bilaterais, mas na consolidação dos Bric’s, a união de nosso país à China, Rússia, Africa do Sul e Índia, as potências emergentes do cenário econômico internacional. Foi uma visita de resultados, de semeadura e de colheita, de aprofundamento de relações que amadureceram e já dão bons frutos. Mais de R$ 20 bilhões em projetos tecnológicos chineses no Brasil foram anunciados, de tal forma que um i-pad, o “tablet”, passará a ser produzido no Brasil com um preço final ao consumidor quase 40% menor do que o atual. Nova fábrica da gigante tecnológica Foxconn será construída em território nacional, muito provavelmente na região de Campinas (SP).
A ZTE e a Huawei, duas outras empresas de porte mundial, anunciaram novas fábricas no Brasil, com investimentos da ordem de R$ 316 milhões e R$ 553 milhões, respectivamente. Irão produzir, criar novos empregos, pagar impostos, gerar divisas e participar de uma economia que cresce em bases sólidas e sustentáveis, num país que optou pela economia de mercado e pela democracia com justiça social. Trocando em miúdos: os empresários chineses não poderiam escolher lugar melhor que o Brasil para investir.
A Embraer, hoje a terceira maior indústria aeronáutica internacional, atrás somente da Boeing e da Airbus, que já opera uma linha de montagem na China em conjunto com a Harbin Aviation, não só irá reforçar sua produção atual como passará a fabricar os jatos executivos Phenom 100 e 300, sucessos de vendas no Brasil, Estados Unidos e Europa.
Hu Jintao e a presidenta Dilma lançaram as bases para a continuidade de uma relação profícua e o início de um novo ciclo, ainda mais virtuoso e lucrativo para seus países. O imenso mercado chinês se abre para as exportações brasileiras, enquanto a grande potência do extremo oriente deixa claro que seu interesse no Brasil vai para muito mais além do que a soja, o minério de ferro e a celulose.

Foi nítida a mudança de postura da China: se era de colaboração, agora é de associação. Mais de 200 empresários dos mais variados segmentos de nossa economia acompanharam nossa presidenta, organizados por um dos homens públicos mais brilhantes de nosso país, o ministro Fernando Pimentel. Rodadas de negociação em todos os setores se deram com empresários chineses e autoridades governamentais. Não houve setor que não fosse analisado, produto que não fosse discutido, problema que não fosse debatido, pleito que não fosse avaliado. O resultado se fará sentir em nossa balança comercial, com o crescimento do volume de negócios entre as duas potências que mais crescem no cenário econômico mundial.
Em 2003, quando o presidente Lula tomou as rédeas de um país quebrado pelos tucanos e sem nenhuma credibilidade internacional, as exportações brasileiras para a China eram da ordem de apenas US$ 1,1 bilhão. A presidenta Dilma, após os oito anos benfazejos do governo petista, visitou uma China que importou US$ 30,8 bilhões em produtos brasileiros! E sua exitosa missão chinesa certamente agregará ainda mais a essa cifra fabulosa.
Segundo dados do IPEA, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, em 2009 a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, tomando um lugar que era dos Estados Unidos. O Brasil importou US$ 25,6 bilhões da China em 2010. O saldo foi um lucro macroeconômico (superávit) de US$ 5,2 bilhões. Com os EUA, o resultado no mesmo período foi um déficit de US$ 8 bilhões (vendas no valor de US$ 19 bilhões para os Estados Unidos e compras de US$ 27 bilhões). Não é preciso muito esforço para saber que o Brasil Império tinha os olhos voltados para a Europa, o Brasil do passado mirava os Estados Unidos e o Brasil do presente e do futuro tem os olhos postos na grande Nação oriental.
A China não é mais um mistério para os brasileiros, nem o Brasil uma aventura para os chineses. Existe uma similitude grande entre nossos países e nossos povos. Uma mobilidade social imensa, economias que crescem vertiginosamente, necessidades a serem supridas e grandes obras a serem realizadas. Culturas extremamente diversas, mas objetivos convergentes.
Estive no início da década passada visitando a China. Ao lado de companheiros do PT, todos convidados pelo governo chinês, visitei por quase duas semanas diversas regiões, escolas, fabricas, observando o crescimento econômico, a inclusão social, as dificuldades que eram vencidas com o esforço de um povo que tem como sua marca a sabedoria e a perseverança. Emocionei-me com a riqueza cultural daquela Nação-continente, ao visitar a Cidade Proibida, o monumental e milenar conjunto arquitetônico que o mundo conheceu nas telas do cinema através do premiado filme “O Último Imperador”, de Bernardo Bertolucci. Enxerguei nos Guerreiros de Xian, um verdadeiro exército de estátuas de terracota, o estranho simbolismo de um povo bom e cordial, mas preparado para defender seu país em qualquer situação, com qualquer sacrifício. Na Grande Muralha, avistada da lua pelos astronautas da NASA, deparei-me com a capacidade de trabalho e a persistência dos chineses. Voltei seguro de que a grande potência do hemisfério norte no século XXI estava nascendo ali. A potência emergente ao sul do Equador já era o Brasil, sob o comando do presidente Lula.


Hoje Hu Jintao e Dilma Rousseff celebram a aliança que consolida a sólida parceria de sucesso entre dois gigantes econômicos e sociais. E a palavra sucesso, em Mandarim, o idioma local mais falado, é o cruzamento de dois ideogramas: risco e oportunidade.
Recordo-me que naquele país fabuloso, ao qual admiro profundamente, estive com importantes líderes políticos em Pequim e convivi com camponeses humildes nas províncias distantes do interior. Em todos a mesma cordialidade, a mesma simpatia quando eram informados de que se tratava de um brasileiro. Invariavelmente levantavam um brinde e repetiam a palavra mágica, vinda do coração, que traduz saúde, felicidade, amizade. Recordo-me de todos eles e homenageio o grande futuro de nossa parceria com os irmãos chineses: Campei!
(*) Delúbio Soares é professor

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Brasil atingirá marca de 1,5 milhão de empreendedores individuais em 2011

Ministro Garibaldi Alves Filho (Previdência Social) foi entrevistado do programa Bom Dia Ministro, nesta quita-feira (14/4). Foto: Elza Fiúza/ABr

bom dia, Ministro Com a meta ousada de trazer para a formalidade mais 500 mil trabalhadores, o Brasil deve atingir a marca de 1,5 milhão de empreendedores individuais neste ano. A afirmação foi feita pelo ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, nesta quinta-feira (14/4), em entrevista ao programa ‘Bom Dia Ministro’, transmitido para todo território nacional. Para isso, segundo Garibaldi, o governo vem promovendo a divulgação das vantagens de se enquadrar na categoria, como a alíquota de contribuição da previdência oficial de 5% – que permite ao empreendedor desfrutar de benefícios como aposentadoria e demais auxílios – além da isenção de impostos federais e taxas mais reduzidas de ICMS e ISS.
“Há um entusiasmo muito grande em especial por parte do Sebrae, que cuida da situação dos pequenos e médios empresários. Você precisa saber que desse um milhão [empreendedores individuais] há uma parte muito significativa que passou para outro estágio. São micro e pequenos empresários. Assim vamos aumentando a economia com investimento da parte dos pequenos. É importante lembrar também que atualmente 90% das empresas do país são micro e médias empresas.”
Ouça abaixo a íntegra da entrevista ao programa ‘Bom dia Ministro’.

O ministro contou que durante reunião com a presidenta Dilma Rousseff, ocorrida no Palácio do Planalto, para tratar da formalização do mercado de trabalho, ocorreu o questionamento por parte da presidenta Dilma sobre a taxa de inadimplência à Previdência Social. Ao ser informada que tratava de volume bem significativo, Dilma Rousseff solicitou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um estudo para redução da alíquota. Por meio de medida provisória enviada ao Congresso Nacional, a partir de maio, o empreendedor que se enquadrar no programa passará a recolher 5% sobre o salário contribuição, uma reudução de seis pontos percentuais.
Garibaldi foi indagado sobre o fato de que 53% dos aposentados recebem de benefício o equivalente a um salário mínimo. O ministro afirmou que essa valor não seria justo para fazer frente às necessidades do aposentado e explicou que “temos que lutar para que esse quadro seja revertido”. “Não sou hipócrita em achar que esse valor é justo. Ninguém desejaria uma aposentadoria desta”.
O ministro informou também que a greve dos peritos da Previdência Social ocorrida há meses deixou algumas sequelas, mas acredita que a situação se normalizará com a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto que prevê a contratação de mais 500 médicos-peritos. Assim, conforme assinalou, o problema precisa ser resolvido urgentemente.
Para melhorar o atendimento ao cidadão, a Previdência Social vem ampliando a quantidade de agências do INSS. A meta é colocar em funcionamento mais 750 postos dentro dos próximos anos. Garibaldi disse que o projeto não terá corte de recursos. Até o momento, 250 unidades estão sendo construídas.
“Uma agência dessas traz benefícios inestimáveis. Além de permitir que a população da cidade recorra a ela, outros municípios vizinhos também desfrutam dos serviços. Desse modo, o contribuinte que teria que viajar para um centro mais distante encontra atendimento mais próximo da residência dele.”
Durante a entrevista, Garibaldi considerou que o fator previdenciário vem sendo motivo de muitas críticas e reconheceu a necessidade de modificá-lo. O ministro também mostrou-se favorável ao projeto que tramita na Câmara dos Deputados sobre a previdência do servidor público e disse que o “déficit” da Previdência Social é provocado por “um gesto de inclusão social” do governo. Ao agradecer a pergunta formulada, Garibaldi explicou que “ao amparar o trabalhador rural” se produz “uma necessidade de financiamento que é o nome charmoso para o déficit”.

Nenhuma nação, por mais poderosa que seja, pode superar seus desafios sozinha

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o presidente da China, Hu Jintao, a presidenta Dilma Rousseff e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, durante declaração à imprensa na 3ª Cúpula dos BRICS. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Viagens internacionais Após participação na 3ª Cúpula dos BRICS, em Sanya, China, nesta quinta-feira (14/4), a presidenta Dilma Rousseff afirmou que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estão engajados no crescimento econômico com justiça social e no desenvolvimento ambientalmente sustentável de suas economias.
Em sua fala de pouco mais de cinco minutos, a presidenta frisou a necessidade de reformulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
Ressaltou, ainda, que a criação do G20 representou um avanço e um primeiro sinal de reconhecimento da necessidade de mudanças na governança global e que os BRICS querem intensificar a coordenação nos temas tratados no âmbito do G20, “mantendo a abertura ao diálogo no que se refere às aspirações de todos os países em desenvolvimento”.
“Sabemos que nenhuma nação, por mais poderosa que seja, pode superar seus desafios sozinha. Queremos somar esforços para promovermos nossas relações econômico-comerciais, científicas e tecnológicas, educacionais e culturais (…). Crescemos com distribuição de renda, equilíbrio macroeconômico e redução de vulnerabilidade externa. Acreditamos que a prosperidade verdadeira só pode ser a prosperidade compartilhada por todos”, disse.
Ouça abaixo a íntegra da declaração à imprensa da presidenta Dilma Rousseff após participação na Cúpula dos BRICS ou veja aqui a transcrição:
Dilma Rousseff comemorou a entrada da África do Sul no bloco e parabenizou o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pela realização da Cúpula do Clima de Durban, em 2011. “Seremos nós, o Brasil, a recolher a próxima conferência do clima em 2012 na Rio +20”, continuou.
Outro desafio elencado para o âmbito dos BRICS, na opinião da presidenta, é incentivar a educação de qualidade, que resultará em maior capacidade de inovação e desenvolvimento científico e tecnológico “para assegurar uma inserção soberana na economia global, cada vez mais interdependente”.
“Ademais, estamos cientes de que a paz e segurança estão intimamente associadas ao combate à fome, ao desenvolvimento e à criação de oportunidades para homens e mulheres e, em especial, para os jovens”, lembrou.
Ao finalizar seu discurso, Dilma Rousseff agradeceu “a parte chinesa pela liderança demonstrada na cúpula”e informou que o Brasil antecipa a participação na próxima reunião dos BRICS na Índia, em 2012.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma mulher à frente do seu tempo

Uma mulher à frente do seu tempo

Delúbio Soares (*)
“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,
removendo pedras e plantando flores.”
(Cora Coralina)
Fernando Pessoa de vez em quando também era Ricardo Reis, Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro, seus eternizados “heterônimos”. E eles assinam alguns de seus melhores poemas, sonetos e textos de sua vasta e genial produção intelectual. Ao contrário do grande poeta português, a goiana Ana Lins dos Guimarães Peixoto, nascida em 1889, resolveu ser, ela mesma, a sua grande personagem, viver intensamente o imenso papel que a vida lhe destinava: antes de completar seus quinze anos já era Cora Coralina, nome que Goiás, o Brasil, a poesia e o reconhecimento público consagrariam.
Dizer que a poeta que assumiu sua personagem era uma mulher à frente de seu tempo é muito pouco. Cora Coralina é atemporal. Os que lerem seus versos, como os que se debruçarem sobre os livros de Machado de Assis ou se extasiarem com as imagens de Cândido Portinari, estarão em contato com o presente e com o futuro, com mestres que jamais perderão a atualidade de suas obras. O “Bruxo do Cosme Velho”, “Candinho” ou a suave doceira e poetisa da bucólica cidade do Goiás Velho, trazem em suas obras a genialidade de tal forma presente, que o tempo passará e eles estarão adiante, no futuro, anos-luz adiantados. Há outros, é claro. Mas exemplifico com três nomes indiscutíveis e dos quais sou profundo e declarado admirador.
Cora Coralina foi uma das maiores figuras de nossa história. Em todo e qualquer aspecto que se lhe explore e investigue a biografia. Precoce? Perde o pai aos dois meses de idade, menina estudiosa e produz seu primeiro conto antes de completar nove anos, quando a República sequer havia sido proclamada. Visionária? Aos dezesseis anos funda um “A Rosa”, um jornal histórico, impresso em papel cor-de-rosa, baratíssimo e de péssima qualidade, mas com um conteúdo de tal forma avançado e artigos tão bem escritos, que lançava em pleno sertão goiano a centelha da liberação da mulher, com força idêntica a de Bertha Lutz, em São Paulo, ou Nair de Teffé, no Rio de Janeiro. A diferença é que Bertha era uma mulher ilustre e de família rica, zoóloga formada na Sorbonne e nossa primeira deputada federal; Nair uma artista de talento, intelectual polêmica e jovem primeira-dama da República (mulher do Marechal Hermes da Fonseca), e Cora Coralina não mais que uma impetuosa adolescente do Brasil profundo, uma moçoila idealista e sonhadora do ainda pouco conhecido sertão goiano.
Antes de completar seus 33 anos de idade, para espanto e pasmo dos que, apenas alguns anos antes acompanhavam sua difícil luta de difusão de suas idéias e de sua produção poética em Goiás, Cora já era uma figura nacional. Conspiravam contra ela uma absoluta ausência de vaidade pessoal e um marido ciumento. Conjugação que não impediram que, ninguém menos que o genial Monteiro Lobato fosse até ela para convidá-la a integrar o seleto grupo de artistas e intelectuais que mudariam para sempre os rumos de nossa cultura com a Semana de Arte Moderna de 1922. Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Clóvis Graciano, Manuel Bandeira, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Guiomar Novaes, Heitor Villa-Lobos, Flávio de Carvalho, Mário de Andrade, Victor Brecheret, Sérgio Milliet e outros nomes notáveis que decretavam o rompimento irrevogável de nossa vida cultura, de nossas artes plásticas, da música, da poesia e da literatura para com o velho, o ultrapassado, o arcaico, o Brasil que importava cultura européia e a consumia em detrimento de sua já rica e excelente produção nativa. Era o Brasil Novo que, enfim, manifestava-se, que brotava para as artes em pleno século XX, ainda que com quase duas décadas de atraso e diante da descrença e da surpresa da sociedade civil e da imprensa conservadora. Cora Coralina foi escolhida – uma das poucas e boas – para ser uma das personalidades que entrariam para a história por aquela guinada irreversível em nossa vida cultural no verão de 1922, consolidada nas múltiplas atividades desenvolvidas no Teatro Municipal de São Paulo.


Impedida pelo marido, o advogado Cantídio Brêtas, Cora não saiu de Jaboticabal, no norte de São Paulo, onde então já residiam. Mas seu nome foi lembrado e citado.  O reconhecimento explícito de seu talento e incomensurável valor, deu-se ainda em plena juventude, num país onde isso costuma demorar muito tempo… Cora foi mais que uma poetisa gerada no ventre de Goiás. Foi o único nome fora do eixo Rio-São Paulo chamado pelos maiores artistas e intelectuais daquela brilhante e revolucionária Semana de Arte Moderna a integrar o seleto grupo que mudaria os rumos de nossa vida artística e cultural.
Suave, brejeira, mãe e esposa dedicada, tão avançada ao defender ideais feministas na adolescência e tão desconcertante ao não aceitar o convite de Monteiro Lobato para não desagradar o cioso marido, Cora surpreende de novo em 1932, quando se alista nas forças de São Paulo e vai lutar na revolução constitucionalista. Foi enfermeira, atendendo soldados feridos nas trincheiras. Foi costureira, cozendo uniformes para as tropas de São Paulo. Se lhe dessem um fuzil, certamente, teria defendido seus ideais de liberdade e justiça.

Primeira intelectual goiana a ser reconhecida pelo Brasil e o mundo, Cora Coralina teve sua vasta obra poética aplaudida pela crítica e admirada por Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade, seus íntimos amigos. Prêmio Juca Pato, da União Brasileira dos Escritores e da Folha de S. Paulo, foi a “Intelectual do Ano” de 1983.
Esta semana relembramos mais um aniversário da morte de Cora Coralina. Já lá se vão quase três décadas de sua partida. Parece-me que foi ontem. A memória de sua simplicidade, de seu rosto vincado pelo tempo e marcado pela história, o branco a cobrir como neve seus cabelos, o olhar sereno e tão doce quanto os doces que ela fazia num enorme tacho, sua obra admirável e festejada, a lembrança de nossa amada terra goiana, seu exemplo de vida fecundo e belo.

Tudo isso me faz desconfiar que Cora Coralina vive ainda – quem sabe? – entre nós, seja no verso genial, seja no exemplo generoso.

(*) Delúbio Soares é professor

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O governo não ficará surdo às reivindicações dos movimentos sociais

Em discurso, presidenta Dilma Rousseff disse que governo procurará atender reivindicações do MAB. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Para uma plateia de 450 mulheres que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a presidenta Dilma Rousseff assegurou ser “contra aqueles que acham que o governo deva ficar surdo às reivindicações” dos movimentos sociais. Na oportunidade, a presidenta Dilma recebeu uma carta com os pleitos estabelecidos a partir de reunião que aconteceu em Brasília (DF). Em resposta, a presidenta afirmou que colocará o seu ministério à disposição para atender as demandas.
“Escutarei todos e farei tudo que for possível para atender 100% das reivindicações. Iremos nos empenhar para encarar as grandes demandas que emergem deste movimento”, disse.
Sob organização do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a presidenta Dilma arrumou espaço na agenda para o encontro com as representantes do MAB que participaram do I Encontro de Mulheres Atingidas por Barragens em Luta por Direitos e pela Construção de um Projeto Energético Popular. A reunião contou com a participação dos ministros Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza), além de Márcia Camargo, que representou o Ministério de Minas e Energia.
Acomodadas no Salão Nobre, as mulheres integrantes do MAB aguardaram alguns minutos pelo início da cerimônia. O ministro Gilberto Carvalho abriu a série de discursos informando que o movimento está comemorando 20 anos de existência e, por este motivo, o empenho para que o grupo fosse recebido pela presidenta Dilma. Carvalho contou que a proposta é manter reunião com lideranças deste movimento a cada dois meses.
Em seguida, Soniamara Maranho, que integra a coordenação nacional do MAB, fez a leitura da carta contendo a pauta do movimento. Depois, Maranho convidou Dilma da Silva, outra representante do MAB, para entregar o documento oficial estabelecido na reunião de Brasília. Para fechar o evento, a presidenta Dilma fez um pronunciamento onde destacou a importância das mulheres por estarem participando deste movimento e enfatizou que o maior compromisso do governo “é a superação da pobreza em nosso país”.

'Nossa homenagem a estes brasileirinhos', diz Dilma emocionada

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff se emocionou durante solenidade comemorativa de um milhão de empreendedores inscritos no Programa Microempreendedor Individual, no Palácio do Planalto. Ao discursar para os presentes, Dilma destacou que hoje seria um dia de muita comemoração pelo fato de o País estar avançando no sentido da formalidade dos negócios, mas disse que não faria esse discurso porque 'Hoje temos que lamentar o fato que ocorreu em Realengo'. A presidente decretou luto de três dias por causa do atentado.
Ao se referir à tragédia que aconteceu em uma escola no Rio de Janeiro, Dilma disse que 'Não é característica do País ocorrer esse tipo de crime. Considero que todos nós aqui presentes estamos unidos em repúdio ao ato violento, sobretudo cometido contra pessoas indefesas', disse a presidente, com a voz embargada.
Em seguida, ela encerrou seu pronunciamento cumprimentando os empreendedores individuais, mas homenageando as vítimas da tragédia no Rio, e pedindo um minuto de silêncio. Ela quase chorou ao dizer: 'Nossa homenagem a estes brasileirinhos que foram retirados tão cedo da vida'. Após o minuto de silêncio, ela declarou encerrada a solenidade, que durou apenas cerca de 15 minutos.
A assessoria do Palácio do Planalto informou que Dilma avalia a possibilidade de viajar ao Rio de Janeiro. De acordo com o porta-voz da presidência, Rodrigo Baina, ela determinou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, entre em contato com as autoridades locais para tomar as providências necessárias. Pelo menos 10 crianças morreram e cerca de 20 pessoas ficaram feridas após um homem efetuar diversos disparos dentro de uma escola em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira, 7
A solenidade, que reuniu centenas de pessoas, foi realizada para comemorar a marca de 1 milhão de trabalhadores formalizados pelo Programa do Empreendedor Individual. Criado por Lei Complementar em julho de 2009, o programa tem como objetivo inserir na economia formal o cidadão que trabalha por conta própria no comércio, na indústria e na prestação de serviço. Para aderir ao programa, esses trabalhadores devem ter rendimento bruto anual de até R$ 36 mil, não ter sócio ou ser dono de qualquer outra empresa. Pode ter um empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria. A marca superior a 1 milhão de formalizados foi atingida no dia 17 de março de 2011, quando a Receita Federal do Brasil registrou 1.004.764 adesões. A meta é chegar a 1 milhão e 500 mil empreendedores até o final de 2011.
(Colaborou Lisandra Paraguassu)

Estadão